Tensão geopolítica, fertilizantes importados, risco climático com El Niño e mudanças na demanda chinesa entram no radar do agronegócio brasileiro em 2026.
A escalada da guerra no Oriente Médio voltou a preocupar o agronegócio brasileiro, principalmente pelos impactos indiretos sobre energia, insumos e comércio internacional. Durante análise recente no programa Agro Pesquisa com Sandra Jassa, o consultor em agronegócio Carlos Cogo alertou que a instabilidade geopolítica pode provocar uma forte pressão sobre custos de produção e ampliar a volatilidade nos mercados globais de commodities.
Segundo o especialista, um dos principais efeitos imediatos da guerra é a pressão sobre o petróleo. Em um cenário de agravamento do conflito, o barril já ultrapassa a marca de 100 dólares, o que causa reflexos diretos na economia agrícola. “O petróleo é um indicador central para toda a cadeia produtiva”, destacou Cogo, ao lembrar que qualquer choque energético tende a se refletir rapidamente nos custos do campo e respectivamente ao bolso do consumidor final.
Outro ponto sensível é a forte dependência brasileira de insumos importados. Atualmente, cerca de 88% dos fertilizantes utilizados no país vêm do exterior, o que deixa o sistema produtivo vulnerável a crises internacionais. Embora o Brasil venha avançando no uso de tecnologias biológicas, os bioinsumos ainda representam menos de 5% do mercado interno, o que indica que a substituição em larga escala ainda está distante.
Além do cenário geopolítico, o agronegócio também enfrenta desafios climáticos. Cogo destacou que o retorno do El Niño neste ano, pode provocar alterações importantes no regime de chuvas e temperatura ao longo da safra, afetando produtividade em diferentes regiões produtoras. Esse fator climático se soma às incertezas econômicas e aumenta a complexidade do planejamento agrícola para os produtores.
No horizonte de médio e longo prazo, o consultor também chamou atenção para a estratégia da China de
reduzir sua dependência das importações de soja, ampliando investimentos em produção doméstica e
buscando diversificar fornecedores. Como o país asiático é o principal comprador da soja brasileira, qualquer mudança estrutural na política de abastecimento chinesa pode alterar significativamente o equilíbrio do mercado global, serve de reflexão ao produtor de soja e tempo para programar o redirecionamento das próximas safras.
Diante desse conjunto de fatores — guerra, custos de insumos, clima e transformações no comércio internacional — Cogo resume o cenário para o agronegócio brasileiro em 2026 com uma frase: “Ainda mais desafiador que 2025”. Segundo ele, o setor continua competitivo, mas precisará lidar com um ambiente global cada vez mais incerto e exigindo mais estratégia.
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