segunda-feira, julho 6, 2026
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A Casa do Dragão | Rhaenyra não tem paz no ótimo e tenso 3º episódio; entenda

Focado na personagem de Emma D’Arcy, capítulo segue a rainha por todos os cantos e decisões

Alexandre Almeida

[O texto abaixo contém spoilers do terceiro episódio da 3ª temporada de A Casa do Dragão]

Se na semana passada falamos sobre o quanto A Casa do Dragão deveria focar ainda mais sua história em Rhaenyra (Emma D’Arcy) e como a personagem é o melhor elemento dramático da série, o terceiro episódio dobra a aposta e entrega um capítulo totalmente voltado para ela. A ansiedade toma conta das decisões e a pressão de uma Porto Real em frangalhos, após os mandos e desmandos de Aegon (Tom Glynn-Carney) e Aemond (Ewan Mitchell), coloca Rhaenyra no meio de um jogo de cobranças e mazelas de seus súditos.

A dinâmica de Rhaenyra andando pelos corredores do castelo, tomando decisões e vivendo na angústia da nova função lembra, em muitos momentos, Conclave, o filme de Edward Berger. Claro, o violino estridente da trilha sonora ressalta ainda mais essa sensação, mas o jogo de responsabilidades, conselhos e desconfiança faz com que o capítulo ganhe um ritmo parecido, potencializado pela boa direção de Claire Kilner.

Sobra, então, para Emma D’Arcy dar outro show de atuação, mesclando a tensão — quase como num ataque de pânico — com o alívio de forma perfeita quando finalmente consegue colocar um plano em prática. D’Arcy volta a ter ótimos momentos ao lado de Olivia Cooke, e a dinâmica entre Rhaenyra e Alicent ganha novos contornos com a ex-rainha presa no castelo e seu pai, Otto (Rhys Ifans), morto. A trama envolvendo Daeron pode não agradar aos fãs do livro, mas funciona muito bem dentro da proposta da série, criando um twist dentro do episódio com um excelente gancho para o próximo.

Sem deixar a peteca cair, o terceiro episódio pode não ter batalhas ou momentos fantásticos, mas é uma ótima peça para entender os novos dramas e tragédias que cercam Rhaenyra: enfrentar os ricos, a religião, a quebra de confiança de Corlys (Steve Toussaint) e mais um golpe em sua autoridade. E tudo ainda pode piorar.

A entrega de Daeron Targaryen

O terceiro episódio começa com Daemon (Matt Smith) chegando acompanhado de Ulf (Tom Bennett) e Hugh (Kieran Bew) para enfrentar a tropa de Ormund Hightower (James Norton). O marido de Rhaenyra diz que o plano de tomar Porto Real deu certo e propõe que o sobrinho de Otto se entregue e retorne para sua cidade. Ele aceita, ajoelha-se perante Rhaenyra e rende suas tropas.

Antes de ir embora, no entanto, Daemon exige que Ormund entregue Daeron Targaryen, que está com a tropa junto ao dragão Tessarion. O líder dos Hightower decide mandar o garoto para Porto Real com Daemon, deixando o dragão para trás, sem um montador.

A história de Daeron reverbera ao longo de todo o episódio, com o garoto se recusando a falar com Rhaenyra e Daemon cobrando que a rainha o execute. Rhaenyra, ainda abalada pela morte de Jacaerys (Harry Collett) — inclusive vendo a imagem do filho caminhando pelos corredores —, decide não fazer mal ao jovem e permite que ele se encontre com a mãe, Alicent.

Durante o encontro, o garoto mal olha para a ex-rainha, e a própria Alicent estranha o comportamento do jovem. Rhaenyra logo percebe que há algo errado e que aquele não é Daeron: Ormund descoloriu o cabelo de um camponês e o entregou como se fosse o herdeiro, ameaçando matar a família dele caso contasse a verdade. Ao notar que foi tapeada pelo inimigo, Rhaenyra descobre que tudo fazia parte de um plano de Ormund para invadir Tumbleton, um castelo que ainda não apareceu na série.

Rhaenyra contra os ricos e Corlys

Entre seus deveres como rainha, Rhaenyra volta a receber os cidadãos de Porto Real para ouvir suas reivindicações, assim como seu pai, Viserys (Paddy Considine), fazia. Entre os relatos, ela descobre que os ricos estocaram comida e materiais de sobrevivência, não deixando nada para os mais pobres, que morreram de fome ou precisaram se alimentar de restos e lixo. Ela, então, convida os nobres para um banquete no palácio e, quando o prato principal é servido, eles encontram ratos em suas refeições. Os roedores, aliás, aparecem ao longo de todo o episódio como uma metáfora da infestation de traidores e espiões que trabalham contra ela em seu novo reinado.

Enquanto os nobres são “alimentados” com ratos, Rhaenyra anuncia que seus cavaleiros vão saquear as casas dos ricos, confiscando bens e alimentos para distribuí-los aos necessitados. Daemon a aconselha a tomar cuidado, argumentando que a atitude não resolve o problemático desabastecimento, mas a rainha rebate dizendo que precisa ser um símbolo para o povo. Torrhen Manderly (Dan Folger) se aproxima e pontua que sabe que a culpa da fome não é apenas dos ricos, mas também dos bloqueios navais impostos ao reino.

Além de encarar a nobreza, Rhaenyra confronta o líder religioso da capital ao exigir ser oficialmente coroada. Ele se recusa, alegando que Aegon já havia recebido o título. Rhaenyra argumenta que Aegon morreu, mas como não há provas materiais disso, o líder da Fé dos Sete não cede. Quando a rainha reforça seus direitos legítimos e seus dragões, ouve como resposta que as feras são criaturas do mal, que só destroem e nada criam. A rixa com a religião está oficialmente confirmada.

Do lado de seus aliados, Rhaenyra ouve de Corlys um pedido para oficializar o nome de seus filhos bastardos, Addam (Abubakar Salim) e Alyn (Clinton Liberty), como Velaryon. Rhaenyra fica reticente e, ao conceder o título de cavaleiro a Ulf, Hugh e Addam, os nomeia publicamente como: Ulf, o Branco; Hugh Martelo; e Addam de Hull — mantendo a alcunha de bastardos.

Ao ser questionada por Corlys, Rhaenyra explica que ainda não é o momento para tal legitimação, especialmente quando ela está no centro das atenções e já é criticada por ser cercada de “filhos bastardos”. Corlys se sente traído, lembra que perdeu tudo por apoiar a rainha e que aquele era seu único desejo. Diante da nova negativa, o Serpente Marinha joga na cara de Rhaenyra que ela também é mãe de bastardos — incluindo os que morreram e o que ela mandou de volta do exílio —, e que isso não vai mudar. Corlys, até então o maior aliado de Rhaenyra e sua Mão, termina o episódio em rota de colisão com a rainha.

A Casa do Dragão

Reprodução/HBO

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Reprodução/HBO

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