Custo dos 12 produtos básicos ficou em R$ 709,12 em agosto, uma redução de R$ 14,98 em relação a julho. Mesmo com a queda, cesta acumula alta de 6,38% no ano
O custo da cesta básica de alimentos apresentou nova redução em Belém no mês de agosto. Segundo levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE/PA), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o conjunto dos 12 produtos básicos ficou em R$ 709,12, uma queda de 2,07% em relação a julho, quando havia custado R$ 724,10.
Esta foi a segunda redução mensal registrada em 2026. Em valores absolutos, o consumidor gastou R$ 14,98 a menos para adquirir os mesmos produtos.
Apesar do recuo, o levantamento mostra que o custo da alimentação básica continua pesando no orçamento das famílias paraenses. Entre janeiro e agosto, a cesta acumulou alta de 6,38%, passando de R$ 666,57 no início do ano para os atuais R$ 709,12.
TOMATE PUXA QUEDA EM AGOSTO
Dos 12 produtos pesquisados pelo DIEESE/PA, sete tiveram redução de preço em agosto. A maior queda foi registrada no tomate, que ficou 16,02% mais barato no mês.
Também apresentaram redução o açúcar cristal (-4,40%), feijão carioca (-2,70%), café em pó (-2,68%), óleo de soja (-1,17%), farinha de mandioca (-1,08%) e banana (-0,44%).
Na outra ponta, cinco produtos ficaram mais caros: carne bovina de primeira (+2,58%), arroz agulhinha (+1,02%), manteiga (+0,85%), leite integral (+0,74%) e pão francês (+0,12%).
Para o DIEESE/PA, o comportamento do tomate teve influência importante na redução da cesta. O órgão, entretanto, chama atenção para a característica de forte oscilação de preços do produto, que pode sofrer influência de fatores como oferta, sazonalidade, condições climáticas e custos de comercialização.
Feijão é o principal vilão no acumulado do ano
Embora a cesta tenha ficado mais barata em agosto, o comportamento dos preços desde janeiro revela uma situação menos favorável ao consumidor.
Entre os oito primeiros meses de 2026, oito dos 12 produtos pesquisados acumularam aumento. O principal destaque é o feijão carioca, cujo preço subiu 57,45% no período.
A carne bovina de primeira acumulou alta de 9,94%, enquanto o arroz aumentou 7,87%. Também ficaram mais caros a banana (+6,62%), o leite integral (+4,59%), a manteiga (+2,85%) e o pão francês (+1,86%).
Por outro lado, quatro produtos tiveram redução no acumulado do ano: farinha de mandioca (-22,84%), óleo de soja (-14,99%), café em pó (-10,92%) e açúcar cristal (-10,31%).
Quase metade do salário mínimo vai para a alimentação
O peso da cesta básica continua elevado para quem recebe o salário mínimo. Em agosto, o trabalhador paraense remunerado pelo piso nacional precisou comprometer aproximadamente 47,29% de sua remuneração líquida somente para comprar os 12 produtos pesquisados.
Isso corresponde a uma jornada de aproximadamente 96 horas e 14 minutos, considerando as 220 horas mensais previstas em lei.
O resultado significa que praticamente metade da remuneração líquida de um trabalhador que recebe o salário mínimo é consumida pela alimentação básica, antes mesmo de serem consideradas outras despesas como moradia, transporte, saúde, educação e vestuário.
Belém tem a segunda cesta mais cara do Norte
A redução registrada em Belém acompanhou o comportamento observado na Região Norte. Em agosto, todas as sete capitais da região pesquisadas pelo DIEESE apresentaram queda no custo da cesta básica.
A maior redução ocorreu em Rio Branco, com -4,68%, seguida por Manaus (-4,55%), Boa Vista (-4,47%), Porto Velho (-2,93%), Belém (-2,07%), Palmas (-1,82%) e Macapá (-1,49%).
Apesar da queda, Belém apresentou a segunda cesta básica mais cara da Região Norte, com R$ 709,12, ficando atrás apenas de Palmas, onde o conjunto de produtos custou R$ 718,54.
No cenário nacional, a cesta ficou mais barata em 25 das 27 capitais pesquisadas. As únicas altas foram registradas em Maceió (+1,43%) e São Luís (+0,78%).
ALTA DE 3,17% EM 12 MESES
Na comparação entre agosto de 2025 e agosto de 2026, a cesta básica comercializada em Belém passou de R$ 687,10 para R$ 709,12, uma alta de 3,17%.
Mais uma vez, o feijão aparece como o principal destaque negativo. Em 12 meses, o produto acumulou aumento de 60,37%.
Também tiveram alta no período a carne bovina de primeira (+17,30%), a banana (+13,49%), o leite integral (+0,98%) e o óleo de soja (+0,48%).
Sete produtos, por outro lado, ficaram mais baratos em 12 meses. As maiores reduções foram registradas no açúcar cristal (-35,67%), farinha de mandioca (-22,03%), café em pó (-13,16%), tomate (-13,04%), arroz agulhinha (-9,51%), manteiga (-3,28%) e pão francês (-0,82%).
CESTA BRASILEIRA TAMBÉM RECUA
O levantamento nacional mostra que o movimento de queda não ficou restrito a Belém. Em agosto, o valor da cesta básica diminuiu em 25 das 27 capitais pesquisadas.
Em média, o trabalhador brasileiro precisou dedicar 98 horas e 37 minutos de trabalho para comprar a cesta básica, abaixo das 100 horas e 24 minutos registradas em julho.
Considerando o salário mínimo líquido, após o desconto previdenciário de 7,5%, o trabalhador brasileiro comprometeu, em média, 48,46% da remuneração para adquirir os produtos básicos.
Salário mínimo necessário chega a R$ 7,5 mil
Com base no valor da cesta mais cara do país, registrada em São Paulo, o DIEESE calcula mensalmente o salário mínimo necessário para uma família de quatro pessoas.
Em agosto de 2026, a estimativa foi de R$ 7.565,86, valor equivalente a 4,67 vezes o salário mínimo vigente, de R$ 1.621,00.
Em julho, a estimativa havia sido de R$ 7.687,01. Já em agosto de 2025, o salário mínimo necessário era calculado em R$ 7.147,91.
Da Redação do Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ com dados são do DIEESE/PA e da Conab





