sábado, maio 16, 2026
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Prefeitura destaca empreendedorismo sustentável que transforma sabores amazônicos em identidade turística de Santarém

Por meio da valorização da sociobiodiversidade e da bioeconomia, iniciativa fortalece comunidades tradicionais, impulsiona o turismo sustentável e promove os sabores da Amazônia para o Brasil.

Frutos da floresta, como vitória-régia, pupunha, jambu, araçá-boi e camu-camu, são transformados pela Deveras Amazônia em criações gastronômicas inovadoras. O resultado é um portfólio com mais de 25 itens, entre geleias, licores, conservas e desidratados. O trabalho é desenvolvido em parceria com comunidades tradicionais, pequenos produtores e instituições de pesquisa, promovendo a sociobiodiversidade e fortalecendo a bioeconomia amazônica.

Os produtos estão disponíveis em pontos estratégicos de Santarém, como o Centro de Artesanato do Tapajós Cristo Rei, o Terminal Fluvial Turístico (TFT) e o Aeroporto Maestro Wilson Fonseca, além de shoppings, padarias e empreendimentos turísticos em Alter do Chão.

A maior parte dos consumidores é formada por turistas que levam os itens como lembrança da experiência na Amazônia. A marca também comercializa para outros estados, como São Paulo e Rio de Janeiro, por meio de vendas online, com produtos disponíveis no site oficial: Deveras Amazônia

A iniciativa nasceu a partir de pesquisas acadêmicas desenvolvidas por Valéria Mourão, Rosa Mourão e Cláudio Monteiro na área de bioprospecção de recursos naturais, voltadas ao aproveitamento de frutos amazônicos e ao desenvolvimento de novos produtos.

“Eu sou do Ceará e o Cláudio é de Manaus. Viemos para Santarém para estudar e acabamos nos encantando pela cidade e ficando aqui. Minha pesquisa era no Laboratório de Bioprospecção de Recursos Naturais da Ufopa, que estuda o potencial de frutos e espécies da Amazônia para o desenvolvimento de produtos e inserção no mercado. Percebemos que, em Santarém, o consumo de doces era mais voltado ao cupuaçu, mas havia espaço para inovação”, relata a cofundadora Valéria Mourão.

Em 2018, o projeto deu origem às primeiras geleias da marca, ainda em fase experimental.

“Começamos sem experiência em gestão, aprendendo na prática. A boa aceitação do público nos motivou a aprofundar os estudos e ampliar a linha de produtos”, completa.

A empresa aposta na valorização de frutos e ervas ainda pouco explorados científica e comercialmente. A linha de geleias reúne cerca de 11 sabores, como vitória-régia, araçá-boi, pupunha, cupuaçu com pimenta, abacaxi com pimenta e versões com tucupi e pimentas amazônicas. Entre os mais procurados estão cupuaçu, açaí, flor de jambu e cacau com castanha.

A produção inclui quatro licores exclusivos, elaborados com ingredientes típicos da Amazônia, como flor de jambu, camu-camu, tucupi e tucupi com pimenta. Com identidade regional, os produtos podem ser consumidos puros ou utilizados na coquetelaria, ampliando as possibilidades gastronômicas.

Outro destaque é o camu-camu em pó, fruto de várzea reconhecido pelo alto teor de vitamina C. O produto é utilizado em sucos, vitaminas e sobremesas, agregando praticidade e valor nutricional, e é produzido em parceria com a comunidade de São Domingos, na Flona, responsável pelo fornecimento da matéria-prima e pelo fortalecimento da cadeia produtiva local.

A geleia de vitória-régia, desenvolvida a partir do manejo sustentável realizado pela produtora ribeirinha Dulce Oliveira, no Canal do Jari, em parceria com pesquisadores da Ufopa e produtores locais, é considerada um produto exclusivo no Brasil e simboliza o potencial gastronômico e sustentável das espécies amazônicas.

A empresa também valoriza ingredientes tradicionais, como o tucupi combinado a pimentas cultivadas por mulheres indígenas da etnia Wai Wai, reforçando a relação entre gastronomia, cultura e identidade regional.

O cupuaçu é aproveitado de forma integral, sendo utilizado na produção de geleias, licores e do cupulate, o “chocolate da Amazônia” em pó. O processo transforma a amêndoa em um produto aromático e nutritivo, usado como energético natural e ingrediente funcional.

Ciência, tradição e saberes comunitários formam a base da Deveras Amazônia. Para os fundadores, o conhecimento das populações tradicionais é tão essencial quanto a pesquisa científica no desenvolvimento dos produtos.

“Valorizar a floresta, seus povos e contribuir para o fortalecimento da bioeconomia amazônica é o que nos motiva”, destaca Valéria.

Durante visita à fábrica da empresa, a equipe técnica da Secretaria Municipal de Turismo (Semtur) conheceu as etapas de produção e dialogou com os empreendedores sobre o potencial do setor para o fortalecimento do turismo sustentável em Santarém.

O secretário municipal de Turismo, Emanuel Júlio Leite, destacou a importância da iniciativa para a promoção do destino:

“Empresas como a Deveras Amazônia mostram como é possível fortalecer a identidade cultural e enriquecer a experiência de quem visita Santarém. Ao escolher esses produtos, além de apreciar sabores da Amazônia, o consumidor também contribui para a manutenção da floresta em pé, apoia comunidades ribeirinhas e fortalece a economia local. Dessa forma, é possível inserir a Amazônia no dia a dia por meio da alimentação, valorizando a biodiversidade e incentivando práticas sustentáveis na região.”

Fonte e imagens: Agência Santarém

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