No penúltimo fim de semana antes do segundo turno, candidato à Presidência pelo PL volta a manifestar desejo de anistiar o ex-presidente Jair Bolsonaro. Enquanto isso, Lula faz campanha no Nordeste, começando pelo Rio Grande do Norte
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, está cada vez mais confiante na vitória no segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e afirmou, ontem, que o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), será responsável por lhe entregar a faixa presidencial. O segundo turno será realizado no próximo dia 25, e os dois candidatos seguem fazendo campanha pelo país.
Ontem, o filho mais velho do clã Bolsonaro participou de uma motocarreata em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. No evento, ao lado de Douglas Ruas, Flávio comemorou a recontagem dos votos que confirmou a vitória do candidato do PL ao governo do Rio de Janeiro em primeiro turno.
Em discurso aos apoiadores, Flávio voltou a mencionar a participação do pai na cerimônia de posse em data errada, pois ela será realizada no dia 5 de janeiro de 2027. “E vocês verão no dia 6 de janeiro de 2027, na data da posse, Flávio Nantes Bolsonaro fazendo uma oração entregando o Brasil nas mãos de Deus. E vocês verão Jair Messias Bolsonaro colocando a faixa de presidente no seu filho”, afirmou.
Não é a primeira vez que Flávio expressa esse desejo, assim como o de o pai subir a rampa do Palácio do Planalto. Contudo, Bolsonaro pai segue em prisão domiciliar após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses de prisão por participação na trama golpista. Além disso, já vem convidando líderes de direita para a posse.
Vale lembrar que o protocolo das eleições democráticas prevê a transmissão de faixa no dia da posse pelo atual presidente, o que não ocorreu em 2023. Jair Bolsonaro, derrotado por Lula em 2022, preferiu viajar para fora do país e não participar da cerimônia, além de questionar a confiabilidade das urnas.
A confiança na vitória expressa por Flávio também aparece nas conversas de bastidores da campanha, que não detalham as medidas econômicas e as mudanças na Constituição que estão sendo programadas. Integrantes da equipe ouvidos pelo Correio disseram acreditar que o segundo turno já está ganho, e resumiram o sentimento com a avaliação de que “a vitória já é certa”.
Interlocutores disseram que o otimismo está sendo alimentado por pesquisas eleitorais recentes, registrando Flávio numericamente à frente de Lula no segundo turno. No primeiro turno, ao contrário das enquetes eleitorais, o senador obteve 47,03% dos votos válidos, e o petista, 45,16%.
Em meio ao clima de já ganhou, integrantes da campanha afirmam que a mobilização não pode diminuir. A avaliação deles é de que ainda há regiões em que Flávio precisa ampliar o apoio, especialmente no Nordeste, única região em que Lula ficou à frente do rival nas urnas e que, em 2022, foi a responsável pela vitória do candidato do PT.
A estratégia, agora, prevê intensificar a presença na região e contar com a atuação de candidatos eleitos no primeiro turno, que passaram a trabalhar na corrida ao segundo turno presidencial, como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), o governador Tarcísio de Freitas (Republicano-SP) e o senador recém-eleito ao governo de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG).
Os aliados reconhecem, no entanto, que a tarefa não será simples. O Nordeste é um dos principais desafios da campanha, e a equipe considera necessário converter novos apoios em votos para fortalecer a base de Flávio. A intenção é aproveitar a estrutura política formada após o primeiro turno e a participação de lideranças regionais nesse sentido nos colégios eleitorais onde o senador encontrou maior resistência.
Em São Gonçalo, Flávio direcionou críticas ao governo federal e projetou o encerramento da gestão petista. Nesse sentido, associou o governo Lula a indicadores negativos relacionados à economia, como o endividamento das famílias, à carga tributária elevada, ao fechamento de empresas e à violência contra as mulheres. “É o fim da Era Lula no Brasil. Essa era que só deixa recordes negativos, é recorde de mulher assassinada, é recorde de brasileiro endividado, é recorde de imposto, é recorde de empresas fechadas, é recorde de indústrias quebradas”, declarou o senador, sem apresentar números que comprovassem os dados citados.
Na sequência, o candidato convocou os participantes a se mobilizarem para a votação do segundo turno. “Vamos tirar o PT do poder, dia 25 de outubro”, afirmou. O discurso procurou associar a disputa presidencial à necessidade de mudança de governo e manter os apoiadores mobilizados na reta final da campanha.
Após a motocarreata, Flávio participou de um encontro com mulheres, na Barra da Tijuca, e foi à celebração dos 100 anos da Assembleia de Deus do Ministério de Madureira, no ginásio do Maracanãzinho, ao lado de apoiadores e do pastor Silas Malafaia.
Durante o evento religioso, o senador voltou a defender a libertação do pai. A agenda do senador continua hoje, em São Paulo, onde terá compromissos com Tarcísio de Freitas e o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB). À tarde, ele participa de encontros com prefeitos e vereadores.
Fonte e imagem: Jornal Correio Braziliense





