quinta-feira, abril 23, 2026
Desde 1876

LITERATURA – Devaneios

Amei-te antes mesmo de te encontrar,

Como quem sonha a luz sem ver o dia;

Foi tua voz que deu sentido a via

Que a solidão insistia em me fechar

Em ti deixei meu medo de existir.

Meu nome, o tempo, a dor e a despedida;

Se amar-te é risco, aceito a própria vida

Como quem nasce só para seguir.

Não temo a morte, se ela em ti começa,

Pois viverás em mim, chama espessa

Que nem o fim do mundo apagará.

E quando os anos roube-nos o ardor,

Serás lembrança viva – eterno amor –

Que até na ausência ainda saberei amar.

Por Arnaldo Silva da Rosa*Autor é Consultor Jurídico estadual, advogado, poeta, escritor com livros publicados, membro da Academia de Letras de Belém-PA, membro efetivo, titular da cadeira 20.

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