quinta-feira, maio 30, 2024
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Twitter Files: Jornalista revela dados que expõem Moraes e TSE

Nesta quarta-feira (3), o jornalista americano Michael Shellenberger revelou uma série de conteúdos que demonstrariam, segundo ele, que o Brasil está envolvido em um “caso de ampla repressão da liberdade de expressão”, que é liderado pelo ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os dados revelados nesta quarta foram chamados por Shellenberger de Twitter Files, mesmo nome da série de conteúdos que foram divulgados a jornalistas por Elon Musk, em 2022, após ele adquirir a rede. Na época, as informações indicaram que o Twitter colaborou com autoridades americanas para suprimir histórias envolvendo Hunter Biden, filho do presidente Joe Biden.

No caso do Twitter Files brasileiro, o jornalista diz que os dados obtidos indicam que Moraes e o Tribunal Superior Eleitoral se “envolveram em uma clara tentativa de minar a democracia no Brasil” com posturas como a exigência ilegal de detalhes pessoais sobre usuários do Twitter e de acesso a dados internos da rede.

As informações reveladas se basearam em trocas de e-mails entre membros do setor jurídico do Twitter no Brasil e a equipe da rede nos EUA. Ao longo das mensagens, são narradas, por exemplo, ações da Corte Eleitoral para tentar obter informações de pessoas que usavam hashtags a favor do voto impresso auditável e investigações que incluíam o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Confira abaixo os conteúdos de alguns e-mails revelados por Shellenberger:

TSE QUERIA IDENTIFICAR DONOS DE PERFIS E REDUZIR ENGAJAMENTO

No dia 20 de agosto de 2021, Batista relatou que o TSE parecia querer “identificar os titulares de contas que teriam adicionado especificamente certos tipos de hashtags de tendência e também reduzir de alguma forma o engajamento de conteúdo específico na plataforma”.

Além disso, o consultor jurídico do Twitter disse ter observado que “o próprio presidente Bolsonaro e vários de seus apoiadores” estavam sendo investigados nesse procedimento, que incluía 15 contas na plataforma.

OBRIGAÇÃO DE REVELAR USUÁRIOS QUE USAVAM TAGS ESPECÍFICAS

No conteúdo da imagem acima, obtido a partir de um e-mail datado de 25 de outubro de 2021, Rafael Batista disse a colegas que o TSE estava obrigando o Twitter a “desmascarar usuários que usassem hashtags específicas”. De acordo com Batista, o pedido seria ilegal e, por isso, a plataforma iria reagir, já que não havia indícios de ilegalidades no uso das tags.

POLÍCIA SOB “MUITA PRESSÃO” DO TSE

A constatação de que o postura de Moraes fugia da normalidade foi observada até pelo chefe do departamento jurídico do Twitter para a América Latina, Diego Gualda. Em março de 2022, ele disse ter se reunido com “o juiz”, em referência a Moraes, e relatou ter ficado surpreso de o ministro ter convidado também a Polícia Federal (PF) e a equipe técnica do TSE para o encontro.

Dois meses depois, Gualda disse que a PF estava “sob muita pressão do Tribunal Superior Eleitoral para fornecer resultados tangíveis” a respeito da investigação sobre as hashtags, que, por sua vez, era conduzida pelo próprio TSE.

SOLICITAÇÕES PARA FORNECER DADOS DE USUÁRIOS COM BASE EM MENÇÕES DE HASHTAGS

Em agosto de 2022, um integrante da equipe jurídica do Twitter revelou que a plataforma recebeu uma nova ordem judicial na qual a rede social era instada a divulgar dados de usuários com base em menções a hashtags específicas como #PrintedVoteNo (#VotoImpressoNão), #DemocraticAuditableVote (#VotoDemocráticoAuditável) e #BarrosoInJail (#BarrosoNaCadeia).

A ordem, de acordo com o funcionário da plataforma, fazia parte de uma “investigação com o objetivo de identificar indivíduos/grupos por trás de uma potencial coordenação de esforços para atacar as instituições e o sistema eleitoral em diferentes plataformas”. Segundo a pessoa, o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) era um dos investigados.

Shellenberger disse que procurou Moraes, o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral para que eles comentassem o caso, mas não recebeu resposta de nenhum deles.

Fonte: Pleno News/Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

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