sexta-feira, maio 15, 2026
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Pesquisa do TRT-8 amplia levantamento sobre trabalho infantil no Pará

Mais de 50 mil alunos de escolas públicas já foram ouvidos em nove municípios paraenses

Mais de 10 mil alunos de escolas municipais e estaduais, das zonas rural e urbana, dos municípios de Bujaru e Concórdia do Pará participaram na semana passada da Pesquisa Sobre o Trabalho Infantil aplicada pela Comissão de Erradicação do Trabalho Infantil e de Estímulo à Aprendizagem (Cetiea) do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT-8). O objetivo é identificar a realidade do trabalho infantil nos municípios, ouvindo diretamente crianças e adolescentes dentro das escolas.

O projeto começou em abril de 2025 e já ouviu mais de 50 mil estudantes em nove municípios do Pará. A previsão é encerrar o primeiro semestre com 12 municípios pesquisados, incluindo cidades da Região Metropolitana de Belém.

Segundo a juíza do trabalho Vanilza Malcher, gestora regional do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil e de Estímulo à Aprendizagem do TRT-8, o diferencial do projeto é justamente a escuta sem intermediários.

“Estamos entrando nas salas de aula, explicando aos alunos o objetivo da pesquisa e ouvindo o que eles têm a dizer, sem filtros”, afirmou. Na semana passada, a carta de um aluno que participou da pesquisa em Bujaru emocionou a magistrada: “O trabalho infantil tira o tempo da gente ser criança. Mas a escola devolve esse tempo pra gente. Obrigado por vir nos proteger”, disse o aluno. “Ele leu a carta para mim. Foi emocionante”, relatou a juíza.

PARCERIAS

A aplicação dos questionários conta com apoio de universidades parceiras. Cerca de 150 universitários e professores participam da pesquisa em Bujaru e Concórdia do Pará. Após a coleta, os próprios acadêmicos fazem a tabulação dos dados, e o resultado costuma ficar pronto em até 40 dias.

Dados do IBGE, com base na Pesquisa nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2024), mostram que o Pará possui cerca de 144 mil crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil. Desse total, 34% estão nas chamadas piores formas de trabalho infantil, colocando o estado em primeiro lugar na Região Norte.

Com apoio técnico do Dieese, a pesquisa do TRT-8 pretende identificar onde estão essas crianças e adolescentes e como o problema se apresenta em cada município, contribuindo para ações e políticas públicas mais direcionadas.

Os resultados são apresentados às prefeituras, secretarias municipais, gestores escolares, universidades e representantes do poder legislativo local, auxiliando no planejamento de ações de proteção à infância e adolescência.

Por Marta Brasil/Imagens: Camila Souza

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