Estado é o 25º colocado no ranking nacional, apesar de estar entre os cinco melhores em solidez fiscal. Gargalos em renda, infraestrutura e capital humano ajudam a explicar o paradoxo
O Pará tem um problema que não cabe em uma planilha de receitas e despesas. O Estado conseguiu melhorar sua situação fiscal, mas ainda não transformou esse desempenho em competitividade.
Na edição 2026 do Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), o Pará aparece em 25º lugar entre as 27 unidades da Federação, com nota 32,81. À frente de Acre e Amapá, apenas. Santa Catarina, que lidera a lista, obteve 87,06 pontos, uma distância de 54,25 pontos.
O resultado é especialmente incômodo porque o Pará não está mal em tudo. Ao contrário: no pilar de Solidez Fiscal, o Estado subiu cinco posições e chegou ao 5º lugar nacional, com nota 69,44. Ficou atrás apenas de Espírito Santo, Mato Grosso, Maranhão e Santa Catarina.
O avanço foi puxado por indicadores como planejamento orçamentário, resultado primário, gasto com pessoal e poupança corrente. No sucesso do planejamento orçamentário, o Pará alcançou o 2º lugar do país. Também ficou em 4º na taxa de investimentos.
O problema é que contas equilibradas são uma condição necessária, mas não suficiente. Um dos sinais dessa contradição aparece na renda. Segundo o IBGE, o rendimento domiciliar per capita do Pará foi de R$ 1.344 em 2024, contra R$ 2.069 na média brasileira. É uma diferença de 35%. Não é pouco.
Na educação, há sinais melhores. O Ideb do Pará avançou entre 2023 e 2025: passou de 5,1 para 5,6 nos anos iniciais do ensino fundamental e de 4,4 para 4,8 nos anos finais. O avanço mostra que políticas públicas podem produzir resultados quando há continuidade.
Mas o ponto de partida ainda é baixo. Em 2023, o Pará tinha nota 4,8 nos anos iniciais da rede pública, contra 5,7 no Brasil, segundo dados compilados pela Fapespa a partir do Inep.
O contraste também aparece na infraestrutura. O Pará ocupa a 24ª posição nacional nesse pilar no ranking de 2026, ficando à frente apenas de Acre, Tocantins e Amazonas entre os Estados brasileiros.
Há, portanto, uma equação paraense difícil de ignorar: o Estado tem dinheiro e capacidade fiscal crescentes, mas ainda entrega pouco em vários dos fatores que transformam riqueza potencial em bem-estar.
Isso é particularmente relevante para um território que possui mineração, agronegócio, floresta, hidrovias e posição estratégica para o comércio internacional. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostra a dimensão do mercado mineral brasileiro: apenas o minério de ferro movimentou US$ 29 bilhões em exportações do país em 2025.
O desafio do Pará, portanto, não parece ser apenas produzir mais. É fazer com que a riqueza produzida atravesse a ponte entre o porto, a mina e a vida cotidiana. O ranking expõe um paradoxo: o Pará começa a organizar a casa, mas ainda não conseguiu fazer com que a prosperidade entre pela porta da frente.
Por Paulo Silber, especial para o portal do Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ/Imagem ilustrativa







