Por Arnaldo Silva da Rosa
.
O homem teme que a morte um dia apareça,
Qual sombra ancestral à margem do caminho;
Mas, quando a noite sobre os seus olhos desça,
Deixa o amor florescer no âmago do ninho.
.
Ergue ao infinito os olhos e ainda sonha,
Embora saiba breve a luz da caminhada;
E, quando a dor em sua alma se entronha,
Busca no escuro a paz da última alvorada.
.
Que enigma é esse ser, que desafia o fim
E faz do breve instante um sopro de eternidade,
Buscando o próprio Deus no abismo de si?
.
E quando o último sol perder sua claridade,
E o silêncio cair sobre o mundo, enfim,
Será o amor a última voz da humanidade.
*Autor é Consultor Jurídico estadual, advogado, poeta, escritor com livros publicados, membro efetivo da Academia de Letras de Belém-PA, titular da cadeira 20.








