segunda-feira, maio 20, 2024
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Náufragos da embarcação encontrada no mar, em Bragança, possivelmente iam para as Ilhas Canárias

As investigações da Polícia Federal no Estado do Pará, pelo que foi encontrado na embarcação localizada por pescadores no sábado, encalhada no mar à altura do distrito de Tamatateua, próximo à Praia de Ajuruteua, em Bragança, no nordeste paraense, levam a crer que os náufragos pretendiam, na verdade, chegar às ilhas Canárias, na Espanha. Entretanto, algo saiu errado e eles ficaram à deriva.

No interior do barco, ainda sem identificação, não havia motor nem leme, o que leva as autoridades a acreditarem que algo inesperado aconteceu, frustrando a tentativa de chegar às Canárias, a partir da saída da Mauritânia, um país de regime semipresidencialista, com primeiro-ministro e religião mulçumana. A língua local é o árabe, apesar de ser uma ex-colônia francesa que se libertou na década de 1960.

Seja o que for que ocorreu, a embarcação ficou sem leme nem motor. Há suspeitas que, à deriva, os passageiros e tripulantes do barco, em número de 25, foram ficando sem comida, sem água, sujeitos à inanição e desidratação, não resistindo. À medida que iam falecendo, seus corpos eram jogados pelos ainda vivos na água até restarem apenas nove, cujo corpo foi localizado pelos pescadores de Bragança bem perto da embarcação encalhada.

As suspeitas é que o pessoal deixou a Mauritânia depois do dia 17 de janeiro. Desde então, se perderam e os infortúnios foram acontecendo.

A perícia cadavérica continua sendo realizada nos corpos e a embarcação, um batelão de 17 metros, permanece na sede do município de Bragança, não tendo ainda informações de quando será trazida a capital paraense.

HISTÓRICO

Muitos africanos fogem de regimes ditatoriais em seus países, além das rigorosas exigências dos mulçumanos, discriminação racial e escravidão. Em geral, esse pessoal tenta chegar à Europa em busca de mudanças de vida. No Brasil, o caso do barco encontrado com corpos no mar em Bragança é o segundo episódio semelhante. O primeiro ocorreu no Ceará, mas havia apenas três corpos.

No caso de Bragança, são nove corpos, um dos quais já estava fora da embarcação. No interior do batelão sem motor nem leme, as autoridades recolheram 25 capas de proteção contra chuva e frio, dois deles, amarelos e os outros, escuros. Foi assim que a PF deduziu que no começo da viagem havia esse número de ocupantes a bordo.

Os trabalhos são realizados com apoio da Polinter, a Polícia Internacional, Marinha do Brasil e Corpo de Bombeiros Militar.

Imagem: Ascom/SRPF/PA.

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