Grande procissão deste domingo é o ponto alto de uma programação que começou na quarta-feira e prossegue até o Recírio, em 26 de outubro
A fé que atravessa gerações volta a ocupar as ruas de Belém neste domingo, 11 de outubro, com a realização do Círio de Nazaré 2026. Milhões de devotos participam da principal manifestação religiosa do Pará, em uma celebração que combina tradição católica, cultura popular, demonstrações de solidariedade e impactos importantes para a economia e o turismo.
A programação começa às 6h, com a Santa Missa na Catedral Metropolitana de Belém, presidida pelo arcebispo metropolitano, Dom Júlio Endi Akamine, e concelebrada por bispos convidados e integrantes do clero. Às 7h, a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré inicia a procissão em direção à Basílica Santuário, percorrendo aproximadamente 3,6 quilômetros pelas ruas da capital.
A expectativa divulgada pela Diretoria da Festa de Nazaré é de que cerca de 2,3 milhões de pessoas acompanhem a procissão principal. O número representa a dimensão de uma celebração que mobiliza não apenas os católicos, mas também famílias, trabalhadores, comerciantes e visitantes que chegam de diferentes partes do Brasil e do exterior.
Romarias movimentaram a semana
A programação de 2026 começou na quarta-feira, 7, com o Traslado dos Carros. Na sexta-feira, 9, a Imagem Peregrina percorreu o trajeto do Traslado para Ananindeua e Marituba, uma das romarias mais extensas do calendário nazareno.
No sábado, 10, a programação incluiu a Romaria Rodoviária, a Romaria Fluvial e a Moto Romaria. À noite, a Trasladação levou a imagem do Colégio Gentil Bittencourt à Catedral Metropolitana, reunindo numerosos devotos em um cortejo que antecede a grande procissão.
As romarias permitem que a devoção alcance diferentes comunidades e espaços da Região Metropolitana. Em cada percurso, os participantes apresentam pedidos, agradecem graças alcançadas e renovam promessas que, muitas vezes, são mantidas por décadas.

Tradição que integra a identidade do Pará
O Círio é uma das principais referências da identidade religiosa e cultural paraense. A corda, a berlinda, os carros dos milagres, as homenagens nas fachadas e a participação de famílias inteiras fazem parte de uma tradição construída ao longo de gerações.
A celebração também está relacionada à gastronomia regional, ao artesanato, à música e a outras expressões culturais que ganham destaque durante outubro. Seu reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco ampliou a projeção internacional dessa manifestação amazônica.
Economia e turismo em destaque
A movimentação de visitantes aumenta a procura por hospedagem, alimentação, transporte, comércio, artesanato e serviços turísticos. Pequenos empreendedores e trabalhadores autônomos encontram no período uma oportunidade de ampliar a renda.
O turismo religioso também contribui para divulgar Belém, seu patrimônio histórico, seus mercados, sua gastronomia e suas tradições. Para transformar o movimento da festividade em benefícios duradouros, são importantes investimentos em mobilidade, acessibilidade, limpeza urbana, segurança e qualificação dos serviços.
Programação continua até o Recírio
Depois da procissão deste domingo, a quinzena nazarena prossegue com outras romarias. No sábado, 17, serão realizadas a Ciclo-Romaria e a Romaria da Juventude. No domingo, 18, acontece a Romaria das Crianças.
No sábado, 24, estão previstas a Romaria dos Corredores, a Romaria da Acessibilidade e a Procissão da Festa. O encerramento será na segunda-feira, 26 de outubro, com o Recírio.
O Círio de Nazaré reafirma, assim, sua importância para a vida religiosa, cultural e econômica do Pará. Mais do que a dimensão da multidão, a celebração se sustenta nas histórias individuais de fé, na memória das famílias e na capacidade de reunir pessoas em torno de uma tradição comum.
Por BRAZ CHUCRE, Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ






