sexta-feira, março 27, 2026
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Hospital Abelardo Santos inicia imunização inédita contra o Vírus Sincicial Respiratório

O Hospital Regional Dr. Abelardo Santos (HRAS), em Icoaraci, distrito de Belém, iniciou, na quinta-feira (26), a imunização com o nirsevimabe. A vacina de dose única foi recentemente incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) para proteger recém-nascidos prematuros e crianças vulneráveis contra as formas graves de infecções respiratórias, como a bronquiolite e a pneumonia, causadas pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR).

A iniciativa ganha relevância diante da robusta atuação da maternidade do hospital. A unidade realizou 4.757 partos ao longo de 2025. Os bebês que se enquadram nos critérios de risco já saem da unidade com uma camada extra de proteção. Diferente das vacinas comuns, o nirsevimabe oferece imunização imediata e prolongada por até seis meses, cobrindo todo o período de maior risco da criança.

Público-alvo e sazonalidade
A estratégia foca nos grupos que historicamente apresentam maior índice de complicações e internações em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) pediátricas. Estão aptos a receber o imunobiológico bebês prematuros, nascidos com idade gestacional de até 36 semanas e 6 dias; e crianças com comorbidades, menores de 24 meses que possuam cardiopatias congênitas ou doenças pulmonares crônicas da prematuridade.

O início da aplicação da vacina não é casual. Dados do Ministério da Saúde indicam que, na Região Norte, a circulação do VSR apresenta aumento na incidência a partir do primeiro trimestre do ano. Em 2025, o Brasil registrou o pico mais acentuado de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por VSR de sua série histórica, com os bebês menores de 6 meses representando cerca de 61% dos casos graves.

Moradora de Icoaraci, Suelen Reis vive um momento de gratidão. A filha dela foi a primeira criança a receber o imunizante no HRAS, uma proteção considerada essencial para a bebê, que nasceu prematura e faz parte do grupo de risco para doenças como a bronquiolite. “A imunização representa segurança, os pais não precisam temer. Como ela é prematura e faz parte do grupo de risco, a vacina é importante para garantir que ela cresça protegida. É um privilégio ela ser a primeira a receber esse cuidado, não vou esquecer”, disse Suelen.

O caminho de Suelen e da bebê tem sido marcado por desafios. Ela contou ter passado por uma cesariana de emergência, após sofrer em casa um quadro de eclâmpsia, (complicação grave da gravidez, caracterizada por convulsões). No entanto, Suelen recorda que o atendimento humanizado da equipe hospitalar, que se manteve atenciosa com ela e sua filha, transformou a situação de urgência em uma história de superação.

Equipe de profissionais de saúde do Hospital Regional Dr. Abelardo Santos (HRAS), em Icoaraci, distrito de Belém
Equipe de profissionais de saúde do Hospital Regional Dr. Abelardo Santos (HRAS), em Icoaraci, distrito de Belém

Avanço tecnológico e integração no cuidado neonatal

Até o ano passado, a prevenção contra o VSR era realizada com o palivizumabe, o que exigia cinco doses mensais. A chegada do nirsevimabe simplifica esse processo, pois com apenas uma aplicação gratuita pelo SUS, garante-se a proteção prolongada do recém-nascido.

Thamires Souza, coordenadora de Enfermagem do complexo neonatal e UTI pediátrica, afirma que a imunização pelo nirsevimabe é um marco na pediatria. “Ela representa um avanço significativo na proteção contra o VSR, uma das principais causas de internações por infecções respiratórias nessa faixa etária”, explica.

A coordedora observa que, diferentemente das vacinas tradicionais, a tecnologia oferece proteção imediata e reduz o risco de complicações graves, especialmente em prematuros e crianças com comorbidades, aliviando a sobrecarga nos serviços de saúde e trazendo tranquilidade às famílias.

Essa eficiência é potencializada pelo trabalho integrado das equipes hospitalares. Thalita Beltrão, enfermeira e coordenadora da maternidade, reforça que o sucesso da assistência depende da continuidade do cuidado humanizado: “A sala de parto e a neonatologia atuam de forma conjunta, iniciando com a estabilização no nascimento e seguindo pela UTI ou UCI neonatal. Essa integração reduz complicações e melhora os desfechos clínicos”, pontua.

Nesse contexto, a administração da dose ainda durante a internação ou pouco antes da alta surge como um diferencial. Para Thalita, a estratégia complementa o cuidado iniciado no parto, garantindo que o bebê deixe o hospital devidamente protegido.

Com a incorporação desta tecnologia, o Brasil se alinha a países como Estados Unidos, Espanha e Chile. O uso do anticorpo reafirma o compromisso global de reduzir a sobrecarga nos sistemas de saúde e, fundamentalmente, salvar vidas nos primeiros meses de vida.

Referência

O Hospital Regional Dr. Abelardo Santos (HRAS) é a maior unidade pública do Governo do Pará, sob gestão da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). É referência no atendimento à mulher, criança e população indígena, com mais de um milhão de atendimentos em 2025.

A estrutura conta com pronto-socorro pediátrico, ginecológico e obstétrico 24 horas, 360 leitos distribuídos entre emergência, cirurgia, internação clínica, Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e Unidades de Cuidados Intermediários (UCIn), além de ser uma das principais maternidades do Estado, realizando mais de 5 mil partos anuais, e contar com um centro de terapia renal.

Fonte: Agência Pará

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