Atividade coordenada pelo Ciseb reuniu nove escolas estaduais em Belém e aplicou diretrizes da BNCC através da astronomia e da física prática.
O céu do Parque da Cidade, em Belém, virou cenário de um verdadeiro espetáculo de inovação e tecnologia. A Secretaria de Estado de Educação (Seduc), por meio do Centro de Inovação e Sustentabilidade da Educação Básica (Ciseb), promoveu nesta quinta-feira (14) uma intensa programação de lançamento de foguetes. A atividade reuniu estudantes de diversas escolas da rede pública estadual em uma experiência que uniu ciência, trabalho em equipe e muito protagonismo juvenil.
O evento faz parte da preparação das equipes paraenses para a Olimpíada Brasileira de Foguetes (OBAFOG), uma das maiores e mais prestigiadas competições científicas estudantis do Brasil. Representando o estado, participaram delegações de peso de colégios tradicionais de Belém, como: Marechal Cordeiro de Farias, Pedro Amazonas Pedroso, Jarbas Passarinho, Dom Pedro II, Albanízia de Oliveira Lima, Manuel de Jesus Moraes, Lauro Sodré, Visconde de Souza Franco e José Alves Maia.
Ciência na prática e cultura maker
Organizada pelo professor Petrônio Medeiros, responsável pelas olimpíadas no Ciseb, a programação busca aproximar os jovens do universo científico de forma atraente.
“No Pará, buscamos incentivar uma ciência conectada à prática, e que desperte o interesse dos estudantes. Esse trabalho é desenvolvido pelo Ciseb, por meio das salas de Prototipagem, Fabricação Digital e Cultura Maker, em parceria com os professores”, explicou o coordenador.
Alinhada às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a dinâmica transforma teorias complexas de Física, Química e Astronáutica em diversão, testando conceitos como pressão, aerodinâmica, estabilidade e as famosas leis de ação e reação.
Da garrafa PET à reação química: Os níveis da competição
Os lançamentos seguiram regras rígidas e foram divididos em duas categorias de acordo com a escolaridade:
- Nível 3 (Ensino Fundamental – Anos Finais): Os protótipos foram construídos com garrafas PET e impulsionados puramente por água e pressão de ar.
- Nível 4 (Ensino Médio): Um desafio mais complexo, onde os foguetes ganharam propulsão através da reação química real entre vinagre e bicarbonato de sódio.

Superando limites e quebrando recordes
O envolvimento dos alunos foi um show à parte. Pedro Blanco, aluno do 3º ano da Escola Visconde de Souza Franco, orgulha-se da evolução da sua equipe, que utiliza apenas materiais sustentáveis na montagem.
“Na nossa primeira participação, conseguimos chegar à segunda fase das classificatórias, e o foguete atingiu 115,9 metros. Hoje, já alcançamos 132 metros. Aprendemos todo o processo de montagem, desde a estrutura até as partes que definem a direção”, celebrou o estudante.
Para alcançar esses resultados, a rotina foi exaustiva. A estudante Sarah Gurjão Costa relembrou que a equipe passou três dias testando, adaptando e aprimorando os protótipos quase sem parar.
Aprendizado para a vida inteira
A professora de Física Cibele Arão acompanhou de perto o esforço dos jovens — desde a arrecadação seletiva de insumos recicláveis até o momento do disparo na base — e ressaltou o impacto pedagógico de iniciativas desse porte na educação pública do Pará.
“Esse projeto é importante porque alia teoria e prática, permitindo que os alunos aprendam colocando a mão na massa. É uma experiência que eles vão levar para a vida toda, tanto na trajetória escolar quanto no futuro profissional”, concluiu a docente.
Além da adrenalina dos lançamentos, o encontro serviu como um espaço de rica integração cultural e troca de estratégias entre as escolas de Belém. Ao final da tarde, todas as medições oficiais de distância foram registradas e os dados enviados para a coordenação nacional da OBAFOG, que avaliará a classificação oficial do Pará no torneio nacional.
Foto: Eliseu Dias/ASCOM Seduc













