Piloto demonstrou insatisfação com as mudanças na categoria e deixa possibilidade de aposentadoria em aberto
Denise Bonfim, da CNN Brasil
Max Verstappen pode deixar os paddocks da Fórmula 1 em breve. Em uma entrevista neste domingo (29), após o Grande Prêmio do Japão, o piloto da Red Bull se mostrou profundamente incomodado com as mudanças de regras dos motores nesta temporada.
O holandês disse que “não estava gostando da Fórmula 1 como um todo” nesta temporada. Ele então foi questionado se isso poderia significar uma aposentadoria precoce.
“É isso que eu estou dizendo. Estou pensando em tudo que acontece dentro deste paddock”, afirmou à BBC Sport. “Pessoalmente, estou muito feliz. Você espera por 24 corridas. Desta vez, serão 22, mas normalmente, 24. Então você se questiona: vale a pena? Ou será que preciso ficar em casa com a minha família? Ver meus amigos quando não estou praticando o meu esporte?”, completou.Play Video
Verstappen negou que a insatisfação esteja relacionada apenas aos problemas da Red Bull neste início de temporada. Na Austrália, o piloto terminou na sexta colocação e, na China, não chegou a completar a corrida.
“Posso aceitar facilmente estar em P7 ou P8, onde estou (…) Porque também sei que não dá para dominar, ser primeiro ou segundo, qualquer coisa do tipo, lutando pelo pódio o tempo todo. Sou muito realista quanto a isso e já estive nessa situação antes. Na F1, eu não só venci”, ponderou.
“Mas, ao mesmo tempo, não parece natural para um piloto de corrida estar em P7 ou P8 e não estar gostando de toda a fórmula por trás disso. Claro que eu tento me adaptar, mas não é legal correr desse jeito. É ‘anti-pilotagem’. Aí chega a um ponto que simplesmente não é o que eu quero fazer”, prosseguiu.
“É claro que você pode olhar para isso e ganhar muito dinheiro. Ótimo. Mas, no fim das contas, não se trata mais de dinheiro, porque esta sempre foi minha grande paixão”.
Acidente no Japão causou insatisfação em todos os pilotos
O acidente envolvendo Oliver Bearman no GP do Japão da Fórmula 1, disputado neste domingo (29), voltou a levantar questionamentos sobre o novo regulamento técnico da categoria.
Além do holandês, Carlos Sainz, Franco Colapinto, Lando Norris e o próprio Berman manifestaram suas críticas ao risco gerado pelas quedas bruscas de velocidade provocados pelo sistema de recuperação de energia.
Bearman ocupava a 18ª posição quando, ao chegar à curva 13, tentou evitar o carro de Franco Colapinto, que reduziu bruscamente a velocidade à sua frente. Segundo a telemetria registrada em tempo real pela própria F1, chegou a quase 100 km/h pouco antes do contato (262 km/h contra 174 km/h).
O piloto da Haas jogou o carro para fora da pista, passou pela grama, atingiu placas de sinalização, e acertou a barreira macia do trecho. Ele saiu do carro com auxílio dos fiscais, mas apresentou dificuldade para caminhar, com dores na perna direita. No impacto, Bearman sofreu uma aceleração 50 vezes maior que a força da gravidade (50G).
Verstappen também demonstrou insatisfação com o cenário atual e já vem detalhando há algumas semanas os problemas que identifica nos carros desta era, alertou para o risco de acidentes graves devido ao “superclipping”:
“É isso que acontece com esses carros. Um fica praticamente sem potência, enquanto o outro está usando o modo “cogumelo” (do jogo Mario Kart). Aí, rapidamente, você tem uma diferença de 50 a 60 quilômetros por hora. Isso é muita coisa”, explicou.
“Às vezes pode parecer que o problema está na frenagem ou na mudança de trajetória, mas também acontece na aceleração. Isso pode acabar em acidentes graves. Quando se trata de segurança, é mais fácil pedir mudanças. Então, talvez devêssemos usar essa palavra para finalmente implementar algumas mudanças”.
NurPhoto via Getty Images









