Professores levam alunos de escolas públicas, privadas e universitários para refletir sobre comunicação, sociedade e contemporaneidade em visitas às exposições de Centro Cultural, em Belém.
A fotografia como registro histórico de diferentes relações de trabalho, entre os anos 1986 e 1992. Essa é uma das características que estão ajudando a ampliar as percepções do mundo, por meio do fotojornalismo e da arte, para estudantes da capital paraense. São 150 registros feitos pelo renomado fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, que integram a exposição “Trabalhadores”, aberta à visitação pública no Centro Cultural Banco da Amazônia.
A exposição tem acesso livre e vem sendo visitada, frequentemente, por estudantes de instituições públicas e privadas. O professor de Fotografia Bruno Carachesti já levou mais de 60 alunos dos cursos de Comunicação Social (Jornalismo e Publicidade) e Moda, da Universidade da Amazônia (Unama), para proporcionar o que classifica como “uma experiência formativa, ampliando o repertório estético, crítico e técnico, a partir do contato direto com uma obra de grande relevância para a fotografia contemporânea”, referindo-se ao trabalho de Salgado.
Erdeson Filho, aluno do terceiro semestre do curso de Publicidade, destacou a profundidade do trabalho do fotógrafo brasileiro. “O olhar do Sebastião Salgado é um tanto frio e seco sobre a realidade que ele presenciou, pela maneira que ele registrou estes momentos – que são estonteantes pela qualidade técnica, mas também angustiantes pela situação desses trabalhadores. É um trabalho atemporal, que traz isso para o debate não só hoje, mas para as futuras gerações”, classificou.
“Nesta exposição, eles conseguem observar que a fotografia é importante para a história. É uma forma de mostrar para eles a relevância da fotografia em uma era em que se valoriza muito o vídeo vertical, os Stories, algo que em 24 horas se perde. Então, mostrar para os alunos esses registros históricos, de algo que foi feito com câmeras analógicas, de um material que tem uma textura do analógico, é fundamental”, reforçou o professor Bruno, que já programa levar outros alunos para visitar a exposição.
Vivências extra-muros – Desde o início do ano, o Centro Cultural Banco da Amazônia, em Belém, já recebeu a visita de diversos grupos de instituições de ensino público e privado, dos níveis Fundamental, Médio e Superior. Atualmente, além da exposição “Trabalhadores”, o local oferece ainda visita guiada e gratuita às exposições “Trajetórias – Arte Contemporânea Paraense”, selecionada por meio do edital de ocupação 2026–2027, que reúne obras de mais de 120 artistas e ocupa dois andares do Centro Cultural, e “Futebol – Exposição Nacional de Humor do Banco da Amazônia”, mostra com 69 obras de cartunistas, chargistas, caricaturistas e desenhistas de todas as regiões do Brasil.
José Carlos Silveira, professor de Artes da Escola Estadual José Veríssimo, também levou alunos para visitar o espaço e conhecer os diversos trabalhos em exposição. “Quando você tira os alunos da sala de aula e traz para uma galeria de artes, você apresenta a eles uma outra vivência. O que poderia ser falado em minutos se expande – já estamos há mais de duas horas visitando as exposições. Isso tudo enriquece esse aluno e ele leva o que encontrou aqui para o resto da vida”, explicou.
Um dos alunos levados pelo professor Silveira ao Centro Cultural foi Aquiles Gomes, do 3º ano do Ensino Médio. Foi o primeiro contato dele com a obra do fotógrafo Sebastião Salgado. “Eu achei interessantíssimo. A gente vê situação de trabalhadores formais e informais de diversas épocas”, afirmou. “Gostei de todas as exposições. É muito importante esse tipo de visita porque isso meio que ‘estoura uma bolha’ dos alunos e da própria escola. O conhecimento não fica limitado às salas de aula”, completou.
Exposições são abertas ao público e 100% gratuitas
As exposições “Trabalhadores”, “Trajetórias” e “Futebol” têm acesso gratuito no Centro Cultural Banco da Amazônia, localizado na avenida Presidente Vargas, nº 800, na capital paraense. O horário de visitação é sempre de terça a sexta, das 10h às 16h. Aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 14h.
A exposição “Trajetórias – Arte Contemporânea Paraense (1959-2026)” termina no próximo dia 14 de junho. “Trabalhadores”, de Sebastião Salgado, fica em cartaz até o dia 14 de agosto deste ano e “Futebol- Exposição Nacional de Humor do Banco da Amazônia” fica aberta até 13 de setembro de 2026. Clique no link e saiba mais: https://www.bancoamazonia.com.br/centrocultural.
Visitação: as instituições de ensino que quiserem agendar visita ao Centro Cultural Banco da Amazônia podem solicitar a visitação pelo e-mail centrocultural@basa.com.br, informando o nome da escola, a data e horário em que pretende visitar o espaço, o nome do professor ou responsável pelo grupo.














