Oitava edição do evento promove troca de conhecimentos, apresentações culturais, feira de ciências e serviços para moradores do PEAEX Acutipereira
A VIII Feira do Rio Acutipereira reuniu comunidades, escolas, cooperativas, associações, movimentos sociais e instituições parceiras em uma programação voltada à troca de conhecimentos, experiências e iniciativas destinadas à melhoria da qualidade de vida dos moradores do Projeto Estadual de Assentamento Agroextrativista (PEAEX) Acutipereira e comunidades do entorno.
Realizada desde 2016, a feira já se consolidou como um espaço de integração entre as comunidades e as escolas da região, valorizando a educação, a cultura, a ciência e as formas de vida das populações das águas e das florestas.
O primeiro dia da programação foi dedicado à educação e contou com a participação das escolas anexas da Escola Referência Santo Ezequiel Moreno, sob gestão do professor Gilney Brito. Também participaram as escolas referências Dr.ª Dalva Patriarca, do rio Camarapí, e Esterfânia Monteiro, do rio Anapú.
Durante a noite, os estudantes apresentaram atividades culturais, incluindo dança, teatro, recital de poemas e poesias. A programação também teve a premiação dos projetos de ciências avaliados por uma banca.

CIÊNCIA PRODUZIDA PELOS ESTUDANTES
Entre os projetos apresentados esteve a proposta “Casa Ribeirinha do Futuro — Tecnologias sustentáveis de baixo custo para viver, produzir e cuidar do território”, desenvolvida pela Escola Santo Ezequiel Moreno.
Segundo a professora Clyzana, apesar dos desafios encontrados durante o desenvolvimento do trabalho, a escola decidiu apostar novamente no potencial dos estudantes. O projeto tomou como referência a própria comunidade Santo Ezequiel Moreno para discutir problemas relacionados à moradia, saneamento, acesso à água, produção de alimentos, aproveitamento de recursos e manejo de resíduos.
A proposta procurou demonstrar que soluções sustentáveis e de baixo custo podem ser adaptadas à realidade amazônica sem desconsiderar a cultura, o território e os modos de vida das comunidades ribeirinhas.
Os estudantes tiveram participação direta na apresentação, explicando o projeto e suas soluções à banca avaliadora. O trabalho conquistou o segundo lugar na Feira de Ciências, resultado recebido com emoção pelos alunos e pela equipe escolar.
A conquista foi considerada pela escola como resultado de pesquisa, criatividade, trabalho coletivo e participação dos estudantes, além de contribuir para o desenvolvimento da autonomia, comunicação e confiança dos alunos.

PROJETOS PREMIADOS
O primeiro lugar ficou com a EMEF Deus Está Comigo, localizada no Quilombo de São Tomé de Tauçu, com o projeto “Sementes crioulas, raízes culturais e expressões artísticas”. A escola recebeu troféu e uma impressora multifuncional.
Em segundo lugar ficou a EMEF Santo Ezequiel Moreno, da comunidade de mesmo nome, com o projeto “Casa Ribeirinha do Futuro”. A premiação foi um troféu e uma televisão de 43 polegadas.
O terceiro lugar foi para a EMEF Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, do rio Campinas, na região das ilhas, com o projeto “Água barrenta: conhecer para cuidar”. A escola recebeu troféu e uma impressora multifuncional.
A Cooperativa Mirim Santo Ezequiel Moreno, da localidade Santa Cruz, ficou em quarto lugar com o projeto “Saneamento sustentável: tecnologia social na várzea, banheiro ecológico elevado para os povos das águas”.
As demais escolas, cooperativas e associações participantes receberam troféus de participação. A Escola Esterfânia Monteiro também recebeu um kit esportivo pela participação na programação.
MP NAS ESCOLAS CHEGA À 30ª EXECUÇÃO
A feira também contou com a participação do promotor de Justiça Ronaldo Bastos, que apresentou resultados de dois anos do projeto “MP nas Escolas”.
De acordo com as informações apresentadas durante o evento, o projeto já contribuiu diretamente para o recebimento de 69 denúncias relacionadas a crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes. A iniciativa busca aproximar o Ministério Público do Conselho Tutelar, estudantes, profissionais da educação e comunidades.
A atuação também tem resultado em medidas para melhorar as condições de ensino, incluindo reformas e adequações em escolas, aprimoramento do transporte escolar fluvial e providências para solucionar problemas estruturais identificados durante as visitas.
Com a atividade na comunidade Santo Ezequiel Moreno, o projeto alcançou sua 30ª execução, ampliando a presença da Promotoria de Justiça nas comunidades escolares de Portel e incorporando à agenda a proteção dos direitos de crianças e adolescentes à natureza, especialmente no contexto dos povos das águas e das florestas.
UFRA MANTÉM PARTICIPAÇÃO NA FEIRA
A Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) também participou da VIII Feira do Rio Acutipereira por meio do PET Florestal, que teve atuação no planejamento, organização e suporte logístico e pedagógico da feira de ciências.
Durante o evento, o grupo contou com o acompanhamento de Raimundo Nonato Pereira da Silva, técnico da UFRA, formado em Agronomia e mestre em Agroecologia, que assumiu a responsabilidade pelo grupo durante a ausência da professora Marcela.
A presença do PET Florestal na Feira do Rio Acutipereira já faz parte da programação anual. A participação envolve tanto o apoio presencial nas atividades quanto o fortalecimento da divulgação da iniciativa.
A Reitoria da UFRA também mantém participação institucional na organização. A atual reitora da universidade, professora doutora Gracialda Costa, também esteve envolvida na programação, que contou com a participação de 15 alunos da instituição.
SERVIÇOS E PALESTRAS
No segundo dia, os movimentos sociais organizaram palestras e serviços destinados aos moradores do PEAEX Acutipereira, em parceria com instituições como SEBRAE, INCRA, UFRA, Sustenta Inova e EMBRAPA.
A programação também contou com uma nova noite cultural organizada pela comunidade e pelos movimentos sociais.
A VIII Feira do Rio Acutipereira reforçou, assim, o papel das comunidades e escolas como espaços de produção e compartilhamento de conhecimentos, valorizando iniciativas relacionadas à educação, ciência, cultura, sustentabilidade e melhoria das condições de vida no território.

Da Redação do Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ com informações do PEAEX/Imagens: Ray Nonato







