Papão vencia o Brusque por 1 a 0 quando o árbitro interrompeu a partida por questões de segurança. CBF determinou a retomada neste domingo, às 15h, com portões fechados, e também suspendeu o confronto entre Ferroviária e Inter de Limeira.
O que deveria ser uma tarde de decisão para o Paysandu terminou em apreensão, reclamações e incerteza na luta pelo acesso à Série B do Campeonato Brasileiro. O confronto contra o Brusque, disputado nesse sábado, 10, em Santa Catarina, foi interrompido nos acréscimos do primeiro tempo depois que problemas na estrutura da arquibancada destinada à torcida bicolor colocaram em dúvida as condições de segurança no estádio.
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A partida, válida pela última rodada do quadrangular decisivo da Série C, foi paralisada quando o Papão vencia por 1 a 0, resultado que mantinha viva a esperança de voltar à Segunda Divisão nacional. Após avaliar a situação, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) confirmou que o jogo será retomado neste domingo (11), às 15h, sem a presença de público.
A decisão também atingiu o outro confronto do grupo, entre Ferroviária e Inter de Limeira, disputado em Araraquara, no interior paulista. A partida foi interrompida com o placar de 0 a 0 e igualmente será retomada no domingo, no mesmo horário, para preservar a igualdade de condições entre os clubes que disputam as vagas de acesso.
Problema estrutural provoca interrupção
O incidente ocorreu na Arena Simon, em Brusque (SC), durante os acréscimos da primeira etapa. A estrutura instalada no setor reservado aos torcedores do Paysandu apresentou movimentação considerada preocupante, principalmente em uma torre que sustentava a cabine de um profissional responsável pelas imagens da transmissão e equipamentos utilizados no sistema de árbitro de vídeo (VAR).
A situação chamou a atenção das autoridades de segurança e dos responsáveis pela organização da partida. O árbitro Wilton Pereira Sampaio foi alertado sobre o problema e interrompeu o confronto para que fossem adotadas providências.
Antes mesmo do apito inicial, torcedores já haviam manifestado preocupação com as condições da arquibancada visitante. Durante a partida, também surgiram relatos de possível superlotação e de dificuldades enfrentadas pelos bicolores no setor destinado à torcida paraense.
A capacidade informada para aquela área era de 613 pessoas. O Brusque, por sua vez, negou que a venda de ingressos tivesse ultrapassado o limite previsto.
Diante do risco, os avisos pelo sistema de som pediram que os torcedores evitassem pular ou provocar movimentos na estrutura. Jogadores também se aproximaram da arquibancada para reforçar o apelo por tranquilidade.
Tentativa de reorganizar a torcida
Durante a paralisação, foram discutidas alternativas para reduzir o risco e permitir a continuidade do confronto. Uma das medidas anunciadas envolvia o remanejamento de torcedores visitantes, com a liberação de espaço em uma área descoberta ocupada por torcedores do time da casa.
A prioridade passou a ser a integridade física de quem estava no estádio, e não a retomada imediata do jogo.
A interrupção se prolongou por mais de uma hora. Como não houve solução que permitisse concluir a partida naquela noite dentro das condições consideradas adequadas, a continuidade ficou para o dia seguinte.
O episódio provocou indignação entre torcedores que viajaram para acompanhar uma partida decisiva e aumentou a pressão sobre a organização do evento para esclarecer as condições oferecidas ao público visitante.
A apuração sobre as circunstâncias do problema estrutural e as responsabilidades por eventuais falhas deverá considerar as condições da arquibancada, os procedimentos de segurança e a capacidade efetivamente disponibilizada ao público.
Gol de Ítalo e esperança bicolor
Dentro de campo, o Paysandu conseguiu o que precisava naquele primeiro tempo: sair na frente. O gol de Ítalo colocou o time paraense em vantagem e aumentou a expectativa da torcida que acompanhava a decisão em Santa Catarina.
A comemoração, porém, coincidiu com a movimentação da estrutura localizada no setor visitante, situação que reforçou a preocupação com a segurança. O problema não se limitou a uma discussão entre torcedores: as condições físicas da arquibancada motivaram a intervenção das autoridades.
Durante a paralisação, houve também confrontos entre torcedores e forças de segurança pública durante a retirada do público do estádio. A ocorrência tornou ainda mais tenso um ambiente que já estava marcado pela importância esportiva do confronto.
A vistoria realizada pelos órgãos de segurança reprovou as condições da estrutura destinada aos visitantes. Com isso, a continuidade da partida naquela noite foi descartada.
Por que o outro jogo também foi suspenso?
A paralisação de Ferroviária x Inter de Limeira foi uma consequência direta da necessidade de preservar a igualdade esportiva.
As duas partidas envolviam equipes do mesmo grupo e poderiam definir, simultaneamente, os classificados para a Série B de 2027. Permitir que um confronto terminasse antes do outro poderia dar vantagem competitiva a uma equipe que já conhecesse o resultado do rival.
Por essa razão, a CBF determinou a retomada dos dois jogos neste domingo, às 15h, com os placares registrados no momento da interrupção: Brusque 0 x 1 Paysandu e Ferroviária 0 x 0 Inter de Limeira.
A continuação está prevista para ocorrer com portões fechados, sem a presença das torcidas.
O que o Paysandu precisa para subir?
O resultado parcial mantém o Papão na disputa, mas não resolve sozinho a situação do clube paraense.
Para conquistar o acesso à Série B de 2027, o Paysandu precisa:
- Vencer o Brusque, preservando a vantagem construída antes da interrupção.
- Torcer por uma vitória da Ferroviária sobre a Inter de Limeira.
Se o Papão confirmar o triunfo e a Ferroviária vencer, o Paysandu alcançará o objetivo de voltar à Segunda Divisão nacional. Qualquer combinação diferente exige a análise dos resultados finais e dos critérios de classificação do grupo.
O confronto também é decisivo para Brusque, Ferroviária e Inter de Limeira, que chegam à rodada final com possibilidades de acesso. Por isso, a conclusão simultânea dos dois jogos é fundamental para a definição das vagas.
Uma decisão que exige explicações
A suspensão expõe uma questão que ultrapassa o resultado esportivo: as condições de segurança oferecidas aos torcedores em uma partida de tamanha importância.
Os relatos de preocupação com a arquibancada, a movimentação da torre de câmeras, a necessidade de evacuar o setor e a reprovação da estrutura na vistoria exigem esclarecimentos sobre a organização do evento e a prevenção de riscos.
O Brusque negou que tenha vendido ingressos acima da capacidade informada para o setor visitante. Portanto, a hipótese de superlotação deve ser tratada como relato e questionamento dos torcedores, e não como fato definitivamente comprovado.
O que está confirmado é que as autoridades consideraram insuficientes as condições de segurança para a continuidade da partida naquele sábado.
Agora, a atenção volta-se para domingo. O Paysandu terá de retomar o confronto com a vantagem de 1 a 0 e tentar transformar a oportunidade em acesso. Para a torcida bicolor, depois da tensão vivida em Santa Catarina, a esperança é que a decisão termine dentro de campo, com segurança para todos e uma definição esportiva sem novos incidentes.

Por NAZARÉ SARMENTO/Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ/Imagens: Jorge Luís Totti/Agência Paysandu





