À CNN, presidente do PT diz que nenhuma autoridade está acima da lei, mas defende presunção de inocência
À CNN, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, criticou o que descreveu como “pré-julgamento” de envolvidos no caso Master e “ataques” a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A fala ocorre em meio ao afastamento do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso no STF e o vazamento de reuniões reservadas conduzidas por ministros da Corte, reveladas pelo site Poder360.
“Todas as denúncias e suspeitas precisam ser investigadas e esclarecidas, para o bem das instituições e da credibilidade do sistema financeiro brasileiro. Mas não podemos ser favoráveis ao pré-julgamento e ao linchamento público de ninguém. Já vimos essa prática na Lava Jato, ela só enfraqueceu a democracia e as instituições”, disse Edinho, lembrando que o PT, por meio de sua bancada, foi favorável às investigações do Master.
Questionado pela CNN especificamente sobre a situação de Toffoli, Edinho acrescentou: “Nenhuma autoridade está acima da lei. Absolutamente nenhuma. Mas o direito de defesa e a presunção da inocência também são direitos de todos os cidadãos, inclusive de um ministro do Supremo. Nunca vou aplaudir pré-julgamento e tampouco linchamento público”, reforçou.
Edinho disse enxergar “oportunismo autoritário” nos desdobramentos do caso e defendeu o direito de ampla defesa caracteriza um “regime de exceção”. O presidente do PT também saiu em defesa de reformas institucionais, incluindo do sistema politico-eleitoral e do Judiciário.
“Nosso atual modelo de democracia representativa está carcomido, é urgente também uma reforma no Poder Judiciário. A sociedade cobra com muita força o fim de qualquer privilégio, temos que aproximar o Estado da sociedade civil, esse distanciamento só aumenta o descrédito.”
Edinho acrescentou que tal necessidade de mudança “não pode ser confundida com nenhum movimento fascista, organizado, que busca enfraquecer as instituições que sustentam o regime democrático”. “Temos que apurar todas as denúncias, mas esse ataque aos ministros do STF, sem o direito de defesa, enfraquece o Judiciário, alimenta o sentimento antissistema, e pavimenta o caminho para o autoritarismo”.







