No mundo em que vivemos, onde existe, em oposição às coisas boas e justas, a maldade, a injustiça, a ambição, o egoísmo, a violência e outras más condutas, quando se depara com um ato de bondade, de fraternidade, de amor ao próximo, tais atitudes às vezes chegam a tocar o coração de adversários, até dos inimigos.
Do século passado para a atualidade a escolha de um clube, de um grupo, de um atleta, de um lutador e de outras situações que envolve disputa, passou a envolver grande parte da humanidade. E às vezes essa opção de torcer enseja brigas, discussões, ofensas, seja entre desconhecidos e até com conhecidos, tais como, amigos, colegas, vizinhos, irmãos e demais parentes.
Já houve e continua havendo mundo afora, ações desastrosas e até mortais, entre torcedores, até do mesmo clube, mas em grande maioria, de clubes adversários.
No domingo passado, após o término do clássico paraense de futebol, o jogador Marcinho, do clube vencedor do campeonato, antes de receber a medalha de campeão junto com outros atletas, assim como a respectiva taça de campeão, tomou uma atitude que mexeu com os torcedores de seu clube, que muito o aplaudiram e também de alguns torcedores do clube adversário perdedor.
Circula pelas redes sociais um vídeo no qual Marcinho, após a partida, enquanto aguardava a montagem do pódio no gramado, é aplaudido pela sua atitude amorosa, fraterna, quando vai até a arquibancada, onde estava o torcedor especial conhecido como Pampam. E depois de abraçá-lo pergunta se ele quer ir lá no pódio para erguer a taça. E o jovem ao responder afirmativamente, o atleta que já tinha tirado a camisa, veste no jovem.
Nas publicações desse vídeo foram postados vários comentários elogiosos, inclusive de torcedores remistas, parabenizando e reconhecendo tal atitude, mesmo vinda de um jogador do clube adversário.
A elogiosa atitude do jogador Marcinho, do Paysandu, com o torcedor especial Pampam do Paysandu, pode ser intitulada por várias palavras, tais como, espetacular, amorosa, gentil, fraterna, e tantos outros adjetivos.
É preciso que fique em destaque, que a escolha de torcer por um clube diferente, dos amigos, pais e filhos, parentes, cônjuges, em nada possa influir no relacionamento pessoal existente entre tais pessoas.
Quando eu era ainda criança lá no município de Maracanã, meu pai que como comerciante viajava semanalmente a Belém, um dia, quando eu tinha de 8 para 9 anos, perguntou-me por qual clube que eu torcia, para que ele comprasse uma camisa e um short com o escudo do clube. Respondi que eu torcia pelo Paysandu.
Meu pai viajou e ao seu retorno me deu o que prometera, deixando-me muito alegre, tendo eu passado a usar em ocasiões especiais, a camisa e o short com o escudo do Papão, junto com colegas torcedores dos dois maiores clubes paraenses.
Anos depois, quando nos mudamos para Belém, eu já adolescente vi papai indo ver jogos do Clube do Remo. Foi quando vim saber que papai era torcedor do Clube do Remo. Mas, não influiu em minha escolha. E o tempo correu!
Em 1978, no jogo do Remo 2 x 0 Operário, na estreia do estádio Mangueirão, de portões abertos, eu já com 26 anos, fui junto com papai, que era chamado de Zito, e Luiz, um primo torcedor alviazul assistir aquele inesquecível jogo.
Naquele dia, o Clube do Remo era o representante do estado do Pará. E nos três – papai, eu e meu mencionado primo, torcemos pelo Leão, vibrando muito quando foram feitos os dois gols.
Penso que foi um dos dias mais alegres na vida de papai, estando com seu filho, torcendo pelo seu clube do coração.
Portanto, os elogios de remistas à atitude do jogador Marcinho com o jovem especial conhecido por Pampam, espelha essa conduta humana que supera o lado torcedor de cada um.
Por Roberto Pimentel
*Autor é advogado, delegado aposentado da Polícia Civil do Pará, especializado em Meio Ambiente e criador da Sala Verde da atual DEMAPA, ex-militar da Aeronáutica, radialista, poeta, escritor e escreve toda quinta-feira neste espaço de A PROVÍNCIA DO PARÁ







