O universo do entretenimento e das redes sociais foi pego de surpresa nesta semana por uma sequência de declarações, no mínimo, excêntricas. Em um diálogo com Ana Paula e Juliano, a figura que já vem sendo apelidada carinhosamente de “Tia Milena” protagonizou um momento de “pós-verdade” que viralizou ao misturar o folclore do pop internacional com teorias da conspiração arqueológicas.
Do Altar ao Telefone: O Suposto Drama de Justin Bieber
A primeira afirmação de Milena que levantou sobrancelhas foi sobre o casamento de Justin Bieber. Segundo ela, o cantor teria telefonado exatamente 30 vezes para sua ex-namorada, Selena Gomez, no dia de sua cerimônia com Hailey Bieber.
Embora o histórico do triângulo amoroso seja um dos temas favoritos dos tabloides, a afirmação carece de qualquer base factual. Fontes próximas aos artistas nunca confirmaram tal episódio, e a precisão do número — 30 ligações — sugere mais uma construção narrativa dramática do que um fato apurado. Para os especialistas em cultura digital, esse é um exemplo clássico de como rumores antigos são reciclados e amplificados em bolhas de conversação.
Arqueologia Fantástica: A “Cidade Perdida” da Amazônia
Horas antes de mergulhar na vida pessoal dos astros canadenses, Milena já havia flertado com o campo da pseudociência. Ela afirmou categoricamente que Ratanabá, uma suposta cidade tecnológica enterrada na Amazônia, é real.
A tese de Ratanabá, que circulou intensamente em redes sociais nos últimos anos, já foi amplamente refutada por órgãos oficiais e instituições de pesquisa:
- IPHAN e Arqueólogos: Rebatem a existência de uma metrópole de 450 milhões de anos, lembrando que, nesse período geológico, a vida complexa ainda nem havia colonizado o ambiente terrestre de forma urbana.
- Geologia: As supostas “linhas retas” vistas do espaço, citadas por defensores da teoria, são, na verdade, formações geológicas naturais ou cicatrizes de desmatamento recente.
O Impacto da Desinformação Recreativa
O episódio de Milena, embora encarado com humor pelos interlocutores Ana Paula e Juliano, acende um alerta sobre a facilidade com que narrativas sem comprovação científica ou documental se espalham.
Seja no campo do showbiz ou na geografia brasileira, a “Tia Milena” tornou-se o símbolo de uma era onde a convicção pessoal, muitas vezes alimentada por algoritmos de desinformação, sobrepõe-se aos fatos. O questionamento que fica nas redes sociais, entre risos e perplexidade, é um só: “É o quê, Tia Milena?”
Afinal, Ratanabá realmente existe?
Diferente do que propagam as redes sociais e as teorias da “Tia Milena”, a cidade de Ratanabá não existe. De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a narrativa é uma teoria da conspiração sem qualquer fundamento científico.
A Origem do Mito
A lenda foi arquitetada pelo ufólogo Urandir Fernandes de Oliveira (conhecido pelo caso do “ET Bilu”). A história descreve uma suposta metrópole tecnológica enterrada na Amazônia, que teria sido a “capital do mundo” há milhões de anos. O boato ganhou força e capilaridade digital em 2022, sendo amplamente instrumentalizado e divulgado durante o governo de Jair Bolsonaro.








