quinta-feira, maio 21, 2026
Desde 1876

LITERATURA – Não te direi adeus!

Por Arnaldo Silva da Rosa

Já se passou muito tempo,

Desde que resolveste partir.

A tua lembrança não quis ir,

Vive desfalecendo minha alma,

Insistindo torturar-me amiúde

Pela saudade que me trazes,

De tanta falta que me fazes,

Do tempo mais feliz que vivi.

.

Só Deus sabe que tudo eu fiz,

Para não haver separação,

Porque era feliz a nossa união,

Que por força do destino atroz,

Levou-te aos braços de outro,

Para tomar de vez o meu lugar,

Fazendo-te promessas de amar,

Não como um dia, eu te amei!

.

Meu amor continua o mesmo.

Por isso, será inútil dizer-te,

Que não vou mais, querer-te,

Pois eu te amo acima de tudo.

.

Hoje fico sozinho a recordar,

Momentos que contigo passei,

Lembrando que a ti entreguei,

Promessas de um amor eterno.

.

Eras a alegria da minha vida,

Que fazia meu corpo fortalecer,

Ao encontrar o sentido de viver.

O perdão que perdoa o pecador

E liberta do cárcere o inocente,

Pela prece de amor atendida,

Que não ficou despercebida,

No tempo da formosa ilusão.

.

Segues no meu pensamento,

Meus passos por onde eu for,

Como se fosse a mimosa flor,

Que saudosa e embevecida,

Desabrochou da minha dor,

De tanta pena do meu sofrer,

Exalando no meu padecer,

O doce aroma da nostalgia.

.

Fostes tu que me agraciastes,

Com a dádiva de amar alguém.

O que não sentir por ninguém.

Mal sabia que a teu querer,

Encerrava o medo de amar.

A felicidade havia chegado,

E era só contigo ao meu lado,

Que eu desejava me dedicar.

.

O tempo passa e suaviza tudo!

Sempre me dizia querendo crer,

Que não fosse mais te querer,

Portanto, gozaria a suprema paz,

Quando encontrasse alguém,

E desfrutasse desse novo amor,

O que contigo encontrei dor,

Por causa do teu procedimento.

.

Puro engano, tu poder ver,

O que restou de mim agora,

Depois que fostes embora,

Vês arruinado o meu sonho,

Que renunciou outro amor,

Se não, que fosse só teu,

Pois foi contigo que nasceu

O meu desejo de ser feliz.

.

Imaginava que eras só minha,

Num sonho resplandecente,

Junto comigo, definitivamente,

Mantido no peito esperançoso,

Aconchegado em meu coração,

Onde o amor já não era distante,

Que por tua causa num instante,

A minha decepção viu partir.

.

Porém, ainda existe a esperança,

De outra vez, voltar te encontrar,

Olhar nos teus olhos e falar

Que eu ainda te amo muito,

E que sempre vou querer,

Todo tempo a teu lado ficar,

Para nunca mais me lembrar,

.

Como é horrível estar só.

.

Somente para ti desejei fazer,

Juras de um eterno namorado,

Na certeza de já ter encontrado

 O amor que jamais iria fenecer.

Seguindo todo o tempo risonho,

A mais pura e ardente paixão,

Que hoje fala ao meu coração:

– Não te esquecerei nunca mais!

.

Assim nasceram esses versos,

Extraídos de todo o meu querer,

E da minha dor por te perder,

Frutos do sublime sentimento,

Que ainda trás as recordações,

Do tempo que por ti morreria,

No minuto que fosse do dia,

Se não estivesses mais comigo.

.

Vês, ainda permanece o desejo,

Que sempre te faças presente,

Como estás na rima nascente

De todo poema que componho,

Inspirado na tua imagem querida,

Minha mais valiosa conquista,

Que não deixei perder de vista,

Depois que resolvestes me deixar.

.

Peço-te para que não fique triste,

Ao ver o que restou de mim,

Quando nossa história teve fim.

Dando início ao amargo pranto,

Que ainda insiste me castigar,

Posto que, é a minha missão,

Como se fosse uma maldição,

Que não sucumbiu à distância.

.

Por isso que em minha vida,

A saudade, tornou-se tortura,

Como uma doença sem cura

Que fez minha alma definhar,

Pelo triste golpe que recebeu,

Quando viu afastar de mim,

A razão que eras para mim,

No mais profundo devaneio.

.

Eu sei que não fui o único,

Que amei nessa vida e perdi.

Embora, o que por ti senti,

Eu não sentirei nunca mais,

Na profundeza de minha alma,

Que se recusa querer encontrar,

Outra que também possa amar,

Se só contigo não houve dúvida.

.

E quando já estiver chegando,

Definitivamente a esperada hora,

Chamarei teu nome ao ir embora,

Levando meu pranto tão sofrido,

Única bagagem do meu cortejo,

Na maior certeza que fui feliz,

No muito que eu tanto quis,

Que vou te amar pra sempre.

.

E nesse derradeiro momento,

Encontrar-te-ei desamparada,

Derramando a lágrima desolada,

Sobre o meu semblante inerte,

Rogando aos teus braços ficar,

Ao ultimar de vez a despedida,

Já certo, desfazer-me da vida.

Se pudesse, não diria adeus!

*O autor é Consultor Jurídico estadual, advogado, poeta, escritor com livros publicados, membro da Academia de Letras de Belém-PA, membro efetivo, titular da cadeira 20.

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