O Círio de Nazaré de 2026 deverá levar aproximadamente 105 mil turistas a Belém, segundo estimativa do Observatório do Turismo do Pará, vinculado à Secretaria de Estado de Turismo (SETUR/PA), em parceria com o DIEESE/PA. O número representa crescimento de cerca de 5% em relação aos 100 mil visitantes estimados em 2025. Os dados foram divulgados pelo órgão de pesquisas ontem, segunda-feira, 14.
Além da dimensão religiosa e cultural, a festividade representa um importante movimento para a economia paraense. Os gastos dos turistas durante o Círio deste ano estão estimados em US$ 40,6 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 207,5 milhões, considerando a cotação do dólar comercial de R$ 5,112 registrada em 9 de setembro.
Em 2025, a estimativa de gastos foi de US$ 38,9 milhões, ou cerca de R$ 198,9 milhões pelo mesmo câmbio. A projeção para 2026 indica, portanto, uma alta de aproximadamente 4,4% na movimentação financeira.
O Círio será realizado no domingo, 11 de outubro, segundo domingo do mês, e deverá movimentar setores como hotéis, restaurantes, transporte, comércio, serviços, artesanato e atividades de lazer.
PESQUISA MOSTRA PERFIL DOS VISITANTES
Os dados utilizados para projetar o comportamento dos turistas em 2026 têm como base a Pesquisa de Demanda Turística do Círio de Nazaré 2025, realizada pela Universidade Federal do Pará (UFPA), por meio do Laboratório de Análise Numérica e da Faculdade de Engenharia Naval.
Foram entrevistados 1.200 turistas entre os dias 8 e 15 de outubro de 2025, em áreas próximas ao Centro Arquitetônico de Nazaré, à Basílica de Nazaré e à Casa de Plácido.
Entre os entrevistados, 52,75% eram mulheres. A faixa etária predominante foi de 35 a 50 anos, que representou 35,33% do total. Em seguida apareceram os visitantes de 51 a 65 anos, com 24,92%, e de 26 a 34 anos, com 21,83%.
A pesquisa também identificou um público com elevado nível de escolaridade. 42,50% tinham ensino superior completo e 25,67% possuíam pós-graduação.
As faixas de renda mais frequentes foram de dois a três salários mínimos, com 24,83%, e de quatro a cinco salários mínimos, com 24,17%.
O Maranhão apareceu como o principal estado de residência entre os turistas entrevistados, seguido por São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Amazonas. O levantamento, porém, registrou visitantes provenientes de todas as demais unidades da Federação.
Viagens em família e permanência de até uma semana
O caráter familiar do Círio também aparece nos resultados da pesquisa. 50,75% dos turistas disseram ter viajado em família, enquanto 27,17% viajaram em grupo e 22,08% estavam sozinhos.
A maioria dos visitantes também organizou a viagem por conta própria. 86,42% não adquiriram pacote turístico.
O transporte aéreo foi utilizado por 60,67% dos entrevistados. Automóvel particular e ônibus de empresa apareceram, cada um, com 12,33%.
Na hospedagem, a casa de parentes foi a principal opção, escolhida por 38,08% dos visitantes. Hotéis ficaram em segundo lugar, com 26,33%, seguidos por casas de amigos, com 15,08%.
A permanência prolongada contribui para ampliar a circulação de dinheiro na economia local. 59,22% dos turistas permaneceram em Belém entre três e sete dias, com permanência média próxima de uma semana.
Círio também estimula turismo pelo Pará
A presença do visitante em Belém não se limita às atividades diretamente relacionadas à programação do Círio. Segundo a pesquisa, 31,17% dos turistas demonstraram interesse em conhecer outros destinos durante a permanência no Estado.
Entre os locais mais citados estavam Salinópolis, Mosqueiro, Marajó, Bragança e Combu.
Na capital, os pontos turísticos mais procurados ou lembrados pelos visitantes incluíram a Basílica de Nazaré, Estação das Docas, Ver-o-Peso, Porto Futuro e Mangal das Garças.
Os dados mostram que o Círio pode funcionar como porta de entrada para outros segmentos do turismo paraense, incluindo atividades culturais, históricas, gastronômicas e de lazer.
Gastronomia e hospitalidade são destaques
A experiência dos turistas em Belém recebeu avaliação positiva em diferentes aspectos.
A gastronomia foi apontada por 23% dos entrevistados como um dos principais pontos positivos da cidade. Em seguida apareceram a hospitalidade, com 19,50%; cultura, com 6,42%; pontos turísticos, com 6,17%; e beleza da cidade, com 4,42%.
A pesquisa também revelou forte possibilidade de fidelização do visitante. 63,83% já haviam participado anteriormente do Círio e 93% afirmaram ter intenção de retornar.
A indicação de amigos ou parentes foi o principal meio pelo qual os turistas conheceram a festividade, responsável por 67% das respostas. Internet e redes sociais apareceram com 10,50%, enquanto televisão e rádio responderam por 8,33%.
Trânsito e limpeza estão entre os principais problemas
Apesar da avaliação positiva, os turistas também apontaram problemas que precisam ser enfrentados para melhorar a experiência durante a festividade.
O trânsito foi o item mais citado entre os aspectos que precisam melhorar, com 22,17% das respostas. Na sequência apareceram limpeza urbana, com 12,75%; segurança, com 4,75%; e transporte, com 3,42%.
Para o Observatório do Turismo do Pará e o DIEESE/PA, os resultados podem contribuir para o planejamento de ações destinadas a melhorar a recepção dos visitantes, especialmente em áreas relacionadas à mobilidade, serviços urbanos e infraestrutura.
Alimentação concentra maior parte dos gastos
A pesquisa de 2025 também ajuda a mostrar como os recursos deixados pelos turistas são distribuídos entre os diferentes setores da economia.
A alimentação concentrou 38,14% dos gastos dos visitantes, seguida por hospedagem, com 28,62%. As compras de lembranças e souvenires responderam por 18,13%, enquanto o transporte interno representou 15,11%.
O gasto médio diário identificado na pesquisa foi de R$ 150,11, enquanto o gasto médio individual ficou em aproximadamente R$ 960,11.
Com a estimativa de 105 mil turistas para 2026, a movimentação prevista reforça a importância da festividade para restaurantes, hotéis, bares, transportadores, vendedores, artesãos, comerciantes e trabalhadores autônomos.
CÍRIO COMO FORÇA ECONÔMICA
Na avaliação do Observatório do Turismo do Pará e do DIEESE/PA, os números projetados para 2026 confirmam que o Círio ultrapassa os limites de uma grande manifestação religiosa. A festividade influencia uma extensa cadeia econômica, desde o período de preparação até a chegada, permanência e saída dos visitantes.
O impacto atinge empresas de diferentes portes e também trabalhadores informais e iniciativas da economia popular.
A elevada intenção de retorno dos turistas e a avaliação positiva de itens como gastronomia e hospitalidade são considerados pontos favoráveis para o turismo paraense. Ao mesmo tempo, os dados sobre trânsito, limpeza, segurança e transporte indicam áreas que demandam atenção.
Para as instituições responsáveis pelo estudo, melhorar esses serviços, ampliar a divulgação dos destinos paraenses e estimular a permanência dos turistas por mais dias são medidas que podem aumentar a distribuição dos benefícios econômicos gerados pelo Círio.
Com isso, a festividade de Nossa Senhora de Nazaré mantém não apenas sua força como patrimônio religioso e cultural, mas também sua posição entre os principais acontecimentos do calendário turístico e econômico do Pará.
Por NAZARÉ SARMENTO, Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ, com informações do Dieese/PA/Imagem: Reprodução







