domingo, abril 19, 2026
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Especialista: Crise no STF existe há mais tempo do que admitido por corte

Ao WW, o cientista político Lucas de Aragão afirma que a divisão na Corte expõe problema que começou quando mais da metade dos senadores buscaram impeachment de ministros

Da CNN Brasil

A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) existe há mais tempo do que o admitido pelos próprios ministros, segundo avaliação do cientista político Lucas de Aragão, da Arko Advice. Em entrevista ao WW, ele apontou que a recente divisão entre os ministros quanto ao diagnóstico da situação apenas evidencia um problema mais antigo e profundo.

A divergência ficou clara quando Edson Fachin e Carmen Lúcia admitiram a existência de uma crise séria, enquanto Gilmar Mendes rebateu essa visão em entrevista à Bandeirantes, classificando-a como alarmista. Para Aragão, no entanto, os sinais da crise institucional são anteriores e evidentes.

“Claro que essa divisão dentro do Supremo expõe a crise, mas a crise vem muito antes. A crise, quando você tem mais de metade dos senadores buscando um impeachment de ministros, existe uma crise”, afirmou o especialista. Ele acrescentou outros indicadores: “Quando mais de 60 parlamentares são investigados pelo STF, é porque existe uma crise. Quando o Executivo fica usando o STF para driblar algumas resistências no Legislativo, é porque tem uma crise”.

O cientista político também mencionou a judicialização da política como outro sintoma do problema: “Quando o mundo político usa o STF como procon da política, porque não gosta do resultado de uma votação e provoca a judicialização da política e do questionar a Suprema Corte, é porque tem uma crise”.

Cenário pode piorar em 2027

Aragão alertou para um possível agravamento da situação em 2025, com a perspectiva de um Senado mais à direita após as eleições. “Existe um cenário, digamos, realista de um Senado mais à direita, de um Senado onde o assunto impeachment de ministro do STF, ou pelo menos o papel do STF na discussão pública, vai ser usado na campanha por senadores de direita”, explicou.

O especialista também trouxe dados de uma pesquisa realizada pela Atlas Intel e Arko Advice, apresentada na CNN há cerca de duas semanas, mostrando uma queda significativa na confiança da população em relação ao STF. Segundo ele, há seis meses, a confiança na Corte estava dividida, com 51% confiando e 49% não confiando – números que refletiam a polarização política do país. No entanto, a pesquisa mais recente revelou que quase 70% dos entrevistados não confiam mais no tribunal, o que, para Aragão, confirma a existência da crise institucional.

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