segunda-feira, outubro 5, 2026
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Quatro candidatos derrotados viram alvo de Lula e Flávio no 2º turno

Nesse primeiro turno, Flávio Bolsonaro ganhou no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste; Lula ficou à frente no Nordeste

A apuração do primeiro turno das eleições de 2026 mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a recondução, terminou à frente em 12 estados, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) ganhou em 14 estados e no Distrito Federal.

Lula triunfou nos nove estados do Nordeste: Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. Também ficou à frente no Amazonas, no Pará e no Amapá, no Norte. Entre os entes nos quais o petista venceu, o maior percentual foi registrado no Piauí, onde alcançou 70,92% dos votos.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, ganhou nos três estados da Região Sul — Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul — e nos quatro do Sudeste: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. O candidato do PL também venceu no Centro-Oeste — Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás —, além de Roraima, Acre, Rondônia e Tocantins, na Região Norte. No Distrito Federal, também ficou à frente.

Decidido que Lula e Flávio fazem o segundo turno, a briga entre eles agora passa a ser, também, pelos apoios dos presidenciáveis que encerraram ontem a participação na disputa eleitoral. O filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro já tem um respaldo garantido: o de Romeu Zema (Novo), que deixou claro que estaria com ele numa nova eleição. As chances de a legenda do ex-governador de Minas Gerais fechar com o Flávio são altíssimas.

O mesmo não se pode dizer de Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). O partido do ex-governador de Goiás tem cargos tanto no governo federal quanto em gestões bolsonaristas, como São Paulo — pode decidir pela neutralidade e por liberar o voto. Renan é adversário visceral de Flávio, mas o Missão é, por essência, antipetista — mesmo ele dizendo que poderia votar em Lula. E Cury tende a apoiar o senador, mas foi procurado por emissários do presidente.

Assim, fechado o primeiro turno, qual o tamanho do cacife político de desses quatro presidenciáveis?

SAI MENOR

O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) chegou à disputa presidencial apresentando-se como uma direita modernizada, mas intransigentemente contrária a Lula e ao PT. Porém, a face da direita moderna logo se desfez. Ficou claro que estava na corrida como uma espécie de linha auxiliar de Flávio. Num dos poucos momentos em que ousou criticar o candidato do PL — por aparecer nos diálogos com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pedindo dinheiro para, supostamemte, fazer o filme Dark Horse —, teve de recuar rapidamente diante das críticas dos seus próprios companheiros de partido, necessitados do bolsonarismo para se elegerem. Um fator mostra sua falta de densidade para voos políticos maiores: não fez o sucessor, Matheus Simões, em Minas Gerais. 

FICA COMO ENTROU

A candidatura de Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, desde o começo claudicou. De início, seu partido não quis se comprometer com nenhum nome — além de Caiado, postulavam a indicação os governadores Ratinho Jr. (PR) e Eduardo Leite (RS). Ratinho saiu e forçou um movimento na direção de Caiado, que deixou o Palácio das Esmeraldas com alta aprovação.

Decidido o candidato, Caiado enfrentou outra dificuldade: a escolha do vice. Inicialmente, pretendia juntar forças com o Novo e com Zema como companheiro de chapa. A ideia naufragou. A solução foi colocar o presidente da legenda, Gilberto Kassab, como vice.

Caiado tentou vender-se como o homem certo para combater a insegurança pública, preocupação maior dos eleitores, segundo as pesquisas eleitorais. A candidatura mirava os bolsonaristas reticentes com Flávio, tanto que Caiado todo o tempo afirmava que anistiaria os golpistas do 8 de Janeiro e o ex-presidente Jair Bolsonaro. Aliás, em momento algum na disputa, o ex-governador criticou duramente o adversário do PL.

Essa equilibrismo fez com que jamais passasse dos 2% das intenções de voto e fosse uma alternativa real da direita. Porém, no front goiano, conseguiu duas vitórias: eleger o sucessor Daniel Vilela e fez da mulher, Gracinha Caiado, senadora. 

SAEM MAIORES

Renan Santos (Missão) chegou à corrida presidencial com o propósito de ser uma alternativa de direita dissociada do bolsonarismo e com a linguagem veloz das redes sociais. Elegeu Flávio como principal alvo para puxar o voto jovem da direita necessariamente antilulista e antipetista, mas não simpática à candidatura do filho 01. A fala agressiva, sem filtro e com sacadas marqueteiras — como a de se deixar fotografar no debate da Band com fraldas geriátricas à frente dos púlpitos de Lula e Flávio —, ajudou nas pesquisas de intenção de voto. Mas, mais do que um adversário para o presidente, tornou-se um incômodo para a campanha do senador, como ficou claro nos momentos que antecederam o debate que a Globo realizaria.

Primeiramente, postou o vídeo no qual atacava duramente o adversário do PL afirmando que Flávio “não tinha futuro”. Depois, ao obter na Justiça o direito de participar do último debate do primeiro turno, fez com que o filho 01 recuasse e desistisse de comparecer. Isso levou ao cancelamento do evento, mas não impediu que Renan fizesse uma manifestação na frente da Globo tendo Flávio como alvo.

Já Augusto Cury (Avante), escritor de livros de autoajuda e psiquiatra, tentou passar a imagem de ponderado — um direitista light adversário da polarização, da qual sempre foi crítico. Mas, para quem se apresentava como alternativa à briga Lula x Flávio, pouco fez na campanha para combatê-la — e todo o tempo falou para os mesmos setores aliados do bolsonarismo.

Ele esbarrou, porém, num plano de governo pouco factível, raso e mal-explicado. Sempre que indagado sobre o que faria caso chegasse à Presidência, enfileirava bordões e ideias sem profundidade — como a de combater a violência contra a mulher utilizando drones.

Conseguiu uma arrancada no começo de agosto, quando chegou a mais de 10% das intenções de voto. Desidratou os oponentes no mesmo campo ideológico. Embora tivesse tirado votos de Flávio, avançou sobre os de Caiado e Zema. Isso, porém, não se sustentou.

Nas sondagens seguintes, voltou ao patamar de terceiro colocado — e bem distante dos líderes. Tornou-se um ator político importante para este segundo turno, pois sua campanha recebeu emissários de Lula e de Flávio em busca de apoio.

Fonte e imagem: Jornal Correio Braziliense

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