O acesso ao tratamento contra o câncer está cada vez mais próximo dos moradores do interior do Pará. Nos últimos sete anos, a rede estadual de saúde dobrou a oferta de serviços oncológicos fora da capital, reduzindo drasticamente a necessidade de viagens longas até Belém. Em 2018, o atendimento concentrava-se em apenas três hospitais distribuídos por dois municípios. Hoje, seis hospitais estaduais dedicam cuidados especializados contra a doença, estando presentes em cinco municípios paraenses.
A assistência conta com referências consolidadas na capital e unidades em expansão no interior:
- Belém: Hospital Ophir Loyola (HOL) e Hospital Oncológico Infantil Otávio Lobo;
- Santarém: Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA);
- Tucuruí: Hospital Regional de Tucuruí;
- Marabá: Hospital Regional Público do Sudeste do Pará (HRSP);
- Castanhal: Hospital Regional de Castanhal.
Mais Perto de Casa: Deslocamento Menor e Atendimento Rápido
Para quem enfrenta o diagnóstico de câncer, a distância até o hospital é um obstáculo crítico. A descentralização tem transformado a rotina de pacientes em diversas regiões do estado.
Em Santarém, o paciente Rafael Portela Parente, de 30 anos, realiza cirurgia e quimioterapia no HRBA há cinco meses perto de onde reside. “Como moro aqui, levo dez minutos da minha casa para cá. Está sendo muito rápido, e só tenho a agradecer à equipe pelo apoio que estão me dando”, relata.
O HRBA é habilitado pelo Ministério da Saúde como Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon). A unidade cobre desde o diagnóstico até exames, cirurgias, quimioterapia, radioterapia e braquiterapia, além de acompanhamento multiprofissional com psicologia, enfermagem, nutrição e serviço social.
Na Região do Lago de Tucuruí, o benefício atinge moradores de municípios vizinhos. Analina Costa de Oliveira, de 73 anos, mora em Rondon do Pará e precisava percorrer mais de 500 quilômetros até Belém. “Era uma viagem muito longa e cansativa, o que tornava o tratamento ainda mais difícil”, lembra. A Unacon de Tucuruí possui estrutura completa para quimioterapia, radioterapia (com acelerador linear), cirurgias e cuidados paliativos, além de 11 poltronas e dois leitos no salão de quimioterapia.
Estrutura Regionalizada e Referência Infanto-Juvenil
- Marabá (HRSP): Presta assistência em mastologia, ginecologia, oncologia clínica e cirurgia oncológica. A unidade realiza cerca de 500 consultas ambulatoriais, 500 sessões de quimioterapia e 100 procedimentos cirúrgicos mensais, contando com 20 leitos de enfermaria dedicados à oncologia.
- Belém (Ophir Loyola): Atua como Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon), mantendo-se como referência estadual para exames complexos, cirurgias, hematologia, transplante de medula óssea e cuidados paliativos.
- Belém (Oncológico Infantil Otávio Lobo): É referência na Amazônia para o tratamento do câncer infantojuvenil (0 a 19 anos), atendendo pacientes dos 144 municípios paraenses e do Amapá. Luciane Gomes, mãe da pequena Paloma Valentina, de três anos, destaca a agilidade do local: “A gente teve um bom acompanhamento desde a descoberta. Em nenhum momento fiquei desamparada”.
Planejamento e Novas Expansões
A expansão da rede leva em consideração a extensão territorial do Pará. Segundo o secretário-adjunto de Políticas de Saúde da Sespa, Ivison Carvalho, o planejamento estratégico iniciado em 2019 focou em aproximar terapias complexas dos municípios de origem dos pacientes.
“Nós duplicamos essa capacidade instalada com a incorporação dos hospitais em Marabá, Tucuruí e Castanhal. Não é só colocar cirurgia ou quimioterapia, temos implantado serviços de radioterapia nesses espaços também para ofertar maior complexidade dentro de cada região de saúde” explica o secretário-adjunto.
A rede continuará em expansão: em Altamira, a nova estrutura de oncologia do Hospital Regional da Transamazônica já está em construção e será o próximo ponto de apoio para o tratamento do câncer no estado.
Foto: Pedro Guerreiro / Ag. Pará





