Novo reajuste da Equatorial Pará foi aprovado pela ANEEL e começa a valer após publicação no Diário Oficial da União
Os consumidores de energia elétrica do Pará terão uma nova despesa no orçamento a partir dos próximos dias. A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aprovou, em 15 de setembro, o Reajuste Tarifário Anual da Equatorial Pará. Para os consumidores residenciais, o aumento será de 6,70%.
O efeito médio do reajuste para o conjunto dos consumidores será de 6,94%. Na baixa tensão, a média ficou em 6,66%, enquanto para os consumidores de alta tensão o aumento médio será de 8,09%.
A nova tarifa passa a valer após a publicação da decisão no Diário Oficial da União. A aplicação nas contas dependerá ainda do ciclo de faturamento de cada unidade consumidora. A Equatorial Pará atende aproximadamente 3,12 milhões de unidades consumidoras no Estado.
Segundo o DIEESE/PA, os principais componentes que influenciaram o reajuste foram os custos de aquisição de energia, os encargos setoriais e componentes financeiros do processo tarifário.
AUMENTO MAIOR QUE O DE 2025
O reajuste residencial de 2026 mais que dobrou em relação ao percentual aplicado no ano passado. Em 2025, a tarifa residencial havia aumentado 3,26%. Agora, o reajuste chega a 6,70%, uma diferença de 3,44 pontos percentuais.
O efeito médio ao consumidor também subiu: passou de 3,57%, em 2025, para 6,94% neste ano.
Para o supervisor técnico do DIEESE/PA, Everson Costa, o impacto deve ser observado não apenas na conta de luz, mas também no orçamento das famílias e nos custos da economia.
“A energia elétrica é uma despesa essencial e o reajuste ocorre em um momento em que o orçamento das famílias paraenses já está pressionado por outras despesas, principalmente alimentação, moradia e transporte”, avalia Everson Costa.
ENERGIA ACUMULA ALTA SUPERIOR À INFLAÇÃO
O estudo do DIEESE mostra que a tarifa residencial no Pará acumulou aumento de 80,09% entre 2017 e 2026. No mesmo período, o INPC ficou em torno de 56%.
Entre os reajustes anuais registrados na última década, estão aumentos de 11,78% em 2018, 8,02% em 2021, 14,38% em 2022 e 9,61% em 2023. Em 2024 houve redução de 2,63%, seguida por alta de 3,26% em 2025 e de 6,70% em 2026.
Desde a privatização da antiga Celpa, em 1998, esta é a 28ª revisão ou reajuste tarifário anual, segundo o levantamento.
QUANTO VAI AUMENTAR A CONTA?
As simulações do DIEESE consideram apenas o reajuste de 6,70%, mantendo o mesmo consumo de energia.
Uma conta que hoje custa R$ 100 passaria para aproximadamente R$ 106,70, acréscimo de R$ 6,70 por mês.
Para uma conta de R$ 200, o aumento estimado é de R$ 13,40 mensais, levando o valor para R$ 213,40. Em 12 meses, o gasto adicional chegaria a R$ 160,80.
Já uma conta de R$ 500 teria acréscimo mensal de R$ 33,50, passando para R$ 533,50. Em um ano, seriam R$ 402 a mais.
Os valores efetivos podem variar porque a conta também sofre influência de tributos, bandeiras tarifárias, contribuição de iluminação pública, Tarifa Social e do próprio consumo da unidade.
PRESSÃO SOBRE FAMÍLIAS DE BAIXA RENDA
O DIEESE chama atenção para o efeito do reajuste sobre as famílias que recebem um salário mínimo. O piso nacional está em R$ 1.621.
Em agosto, a cesta básica de Belém custou R$ 709,12, comprometendo aproximadamente 43,75% do salário mínimo bruto, apesar da redução de 2,07% registrada no mês.
Depois da compra dos produtos essenciais, restavam cerca de R$ 911,88 para despesas como aluguel, energia elétrica, água, transporte, gás de cozinha, saúde e medicamentos.
Para o DIEESE, o novo reajuste reduz ainda mais a margem de manobra dos consumidores, principalmente daqueles de menor renda.
EMPRESAS TAMBÉM TERÃO CUSTOS MAIORES
O impacto não ficará restrito às residências. A energia elétrica é utilizada em praticamente todas as atividades econômicas e o reajuste poderá elevar custos de comércio, supermercados, restaurantes, padarias, indústria, mineração, agropecuária e serviços.
Na alta tensão, o reajuste médio de 8,09% poderá atingir com maior intensidade grandes consumidores.
Dependendo da capacidade de cada empresa de absorver o aumento, parte do custo poderá ser repassada aos preços de produtos e serviços. Também poderá haver efeitos sobre margens, investimentos e manutenção ou geração de empregos.
O DIEESE destaca ainda o contraste existente no Pará, grande produtor de energia, mas que mantém tarifas que representam peso significativo para consumidores residenciais e setores produtivos.
A orientação é que o consumidor diferencie o reajuste anual das demais cobranças que aparecem na fatura, como bandeiras tarifárias, tributos, iluminação pública e alterações no consumo.
Da Redação do Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ com informações do Dieese/PA







