Atividade realizada em Santo Ezequiel Moreno aproximou alunos de uma modalidade de alto rendimento e reforçou a relação histórica dos moradores com os rios da região
A força das águas que faz parte do cotidiano das comunidades ribeirinhas do Marajó também serviu de cenário para uma experiência diferente em Portel. Durante as Olimpíadas Escolares, estudantes da comunidade de Santo Ezequiel Moreno, no rio Acuti-Pereira, tiveram contato pela primeira vez com o remo olímpico e com uma embarcação utilizada na preparação esportiva de alto rendimento.
A iniciativa levou para uma comunidade distante dos grandes centros esportivos uma modalidade que, tradicionalmente, está associada a clubes e estruturas especializadas. Para os estudantes, a experiência representou mais do que conhecer um novo esporte: foi uma oportunidade de perceber que os rios onde vivem também podem ser espaços para novas possibilidades de formação e desenvolvimento.
A atividade integrou a programação das Olimpíadas Escolares de Portel, que, de acordo com a organização, reuniram mais de cinco mil participantes. Santo Ezequiel Moreno, localizada no território do PEAEX Acuti-Pereira, recebeu a apresentação do projeto em meio a uma realidade na qual as embarcações e os deslocamentos pelos rios fazem parte da rotina das famílias.
Do Clube do Remo para as comunidades ribeirinhas
O projeto de remo olímpico começou a ganhar forma em 2025, depois que jovens de Portel participaram de uma formação no Clube do Remo, em Belém. A partir dessa experiência, surgiu a proposta de ampliar o contato com a modalidade e levá-la também para regiões onde o esporte ainda tem pouco acesso.
Para o professor Leonardo, responsável pela iniciativa, apresentar o remo olímpico em uma comunidade remota é um desafio que exige dedicação e continuidade. A intenção é ampliar as oportunidades para que os jovens possam conhecer a modalidade e, eventualmente, desenvolver habilidades que os levem a outros níveis de competição.
A experiência também estabelece uma conexão curiosa entre o esporte olímpico e a realidade marajoara. Enquanto o remo de alto rendimento exige técnica, treinamento e preparação específica, os estudantes de Santo Ezequiel Moreno crescem em uma região onde o domínio das águas e das embarcações já faz parte da vida cotidiana.
Um encontro entre esporte e identidade ribeirinha
Para o líder comunitário Teofro Lacerda, a presença do projeto tem um significado especial justamente por ocorrer em uma comunidade cuja história está diretamente ligada aos rios.
Segundo ele, a atividade representa um momento marcante para os moradores e, principalmente, para os alunos que tiveram a oportunidade de conhecer uma embarcação de alto rendimento e entender que a relação que possuem com as águas pode também abrir portas para outras experiências.
A chegada do projeto foi considerada por Lacerda um marco para Santo Ezequiel Moreno. A iniciativa colocou os estudantes diante de uma modalidade esportiva que, embora tenha características bastante diferentes das práticas tradicionais das comunidades, utiliza justamente um elemento que eles conhecem desde cedo: a água.

Akuanduba navega pelas águas do Acuti-Pereira
Um dos destaques da atividade foi a presença da embarcação Akuanduba, adquirida recentemente pelo São Vicente Futebol Clube, de Portel.
O barco recebeu esse nome como referência à Amazônia ancestral e à força da natureza. Na comunidade, a embarcação acabou simbolizando a aproximação entre duas realidades: o conhecimento tradicional dos moradores sobre os rios e as técnicas de uma modalidade esportiva olímpica.
A presença do Akuanduba também despertou a curiosidade dos estudantes, que puderam observar de perto as características de uma embarcação voltada ao remo de alto rendimento.
ESPORTE COMO OPORTUNIDADE
O secretário de Esporte e Turismo de Portel, Idinor Ferreira, destacou a importância da experiência para os estudantes e moradores de Santo Ezequiel Moreno. Para ele, levar uma modalidade esportiva centenária até uma comunidade ribeirinha representa uma maneira de valorizar a identidade amazônica e, ao mesmo tempo, ampliar o horizonte de oportunidades oferecidas aos jovens.
A iniciativa mostra que o esporte pode chegar a lugares onde as distâncias e as condições de acesso ainda são obstáculos para a formação esportiva. No caso de Portel, a proposta ganha uma dimensão ainda maior por aproximar o remo olímpico de crianças e adolescentes que vivem cercados pelos mesmos rios que dão identidade à região.
A experiência em Santo Ezequiel Moreno também reforça a importância de iniciativas que aproximem esporte, educação e cultura ribeirinha, criando novas possibilidades para estudantes do interior do Marajó.
Em uma região onde o barco é muitas vezes sinônimo de deslocamento, trabalho e sobrevivência, o projeto apresentou uma nova perspectiva: transformar as águas conhecidas pelos estudantes em espaço também para o esporte, a descoberta de talentos e a construção de novos sonhos.

Fonte: Secelt Portel/Imagens: Ray Nonato





