domingo, agosto 31, 2025
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Remédio comum para coração pode aumentar risco de morte em mulheres

Novos estudos revelam impactos diferentes do uso da medicação em mulheres após infarto

Sandee LaMotte, da CNN

Uma classe de medicamentos chamada betabloqueadores — usada há décadas como tratamento de primeira linha após um infarto — não traz benefícios para a maioria dos pacientes e pode até aumentar o risco de hospitalização e morte em algumas mulheres, mas não em homens, segundo uma nova pesquisa considerada inovadora.

“Essas descobertas vão reformular todas as diretrizes clínicas internacionais sobre o uso de betabloqueadores em homens e mulheres e devem iniciar uma abordagem tão necessária de tratamento cardiovascular específica para o sexo”, afirmou o Dr. Valentin Fuster, autor sênior do estudo, presidente do Mount Sinai Fuster Heart Hospital em Nova York e diretor-geral do Centro Nacional de Investigação Cardiovascular, em Madri.

De acordo com o estudo, publicado no European Heart Journal e apresentado no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia em Madri, mulheres com pouco dano cardíaco após o infarto que foram tratadas com betabloqueadores tiveram maior risco de sofrer novo infarto, desenvolver insuficiência cardíaca e morrer — quase três vezes mais — em comparação com mulheres que não tomaram o remédio.

“Isso foi especialmente verdadeiro para mulheres que receberam altas doses do medicamento”, disse o Dr. Borja Ibáñez, autor principal e diretor científico do centro cardiovascular em Madri.

Segundo Ibáñez, essa foi a maior quantidade de mulheres já incluída em um estudo sobre o uso de betabloqueadores após infarto. Ele também atua como cardiologista no Hospital Universitário Fundación Jiménez Díaz, em Madri.

Porém, os resultados só se aplicam a mulheres com fração de ejeção do ventrículo esquerdo acima de 50%, considerada dentro da função cardíaca normal.

fração de ejeção é uma medida de quão bem o lado esquerdo do coração bombeia sangue oxigenado pelo corpo. Para pacientes com fração abaixo de 40%, os betabloqueadores ainda são o tratamento padrão, pois ajudam a controlar arritmias que podem causar um segundo evento cardíaco.

Apesar disso, os betabloqueadores podem causar efeitos colaterais desagradáveis, como pressão baixa, batimentos cardíacos lentos, disfunção erétil, fadiga e alterações de humor, explica o Dr. Andrew Freeman, diretor de prevenção cardiovascular no National Jewish Health, em Denver, que não participou da pesquisa. “Sempre precisamos equilibrar riscos e benefícios ao usar esses medicamentos.”

Mas por que as mulheres seriam mais suscetíveis aos efeitos negativos? “Isso não é tão surpreendente”, diz Freeman. “O gênero influencia bastante na forma como o corpo reage aos remédios. Muitas vezes, as mulheres têm corações menores e são mais sensíveis a medicamentos para pressão arterial. Parte disso pode estar ligada ao tamanho e parte a fatores que ainda não compreendemos totalmente.”

Historicamente, como as pesquisas cardíacas se concentraram em homens, a medicina levou anos para entender que doenças cardíacas se manifestam de forma diferente em mulheres.

Enquanto homens tendem a ter acúmulo de placas nas artérias principais e sintomas clássicos como dor no peito, mulheres costumam ter placas em vasos menores e sintomas mais sutis como dor nas costas, indigestão e falta de ar.

Avanços nos tratamentos diminuem a necessidade de betabloqueadores

A análise sobre mulheres faz parte do estudo clínico REBOOT — tratamento com betabloqueadores após infarto sem redução da fração de ejeção — que acompanhou 8.505 homens e mulheres atendidos em 109 hospitais da Espanha e da Itália por quase quatro anos.

Os resultados também foram publicados no New England Journal of Medicine e apresentados no congresso europeu.

Nenhum dos participantes tinha fração de ejeção abaixo de 40%, sinal de possível insuficiência cardíaca.

“Não encontramos nenhum benefício no uso de betabloqueadores para homens ou mulheres com função cardíaca preservada após infarto, apesar de isso ser o padrão há cerca de 40 anos”, afirmou Fuster, ex-editor da Journal of the American College of Cardiology e ex-presidente da American Heart Association e da World Heart Federation.

Essa mudança pode ser explicada por avanços no tratamento imediato, como o uso rápido de stents e anticoagulantes ao chegar ao hospital. Hoje, segundo Ibáñez, a maioria dos sobreviventes de infarto — homens e mulheres — têm fração de ejeção acima de 50%.

“No entanto, atualmente cerca de 80% dos pacientes nos EUA, Europa e Ásia ainda recebem betabloqueadores, porque as diretrizes médicas ainda os recomendam”, disse ele. “Embora testemos frequentemente novos medicamentos, é muito raro questionarmos com rigor a necessidade contínua de tratamentos antigos.”

Embora o estudo principal não tenha indicado benefícios para quem tem fração de ejeção acima de 50%, uma meta-análise separada com 1.885 pacientes, publicada no The Lancet neste sábado, encontrou benefícios para quem tem fração entre 40% e 50%, quando o coração apresenta dano leve.

“Esse grupo teve benefícios com o uso rotineiro de betabloqueadores”, explicou Ibáñez, que também é coautor dessa publicação. “Observamos uma redução de cerca de 25% no risco de novos infartos, insuficiência cardíaca e morte por todas as causas.”

Getty Images via CNN Newsource

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